A diversidade cultural dos povos indígenas capixabas ganhou novo destaque com a divulgação de um estudo especial produzido pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), por meio da Coordenação de Estudos Sociais (CES). Publicado no dia 17/04/2025, o levantamento reúne dados atualizados sobre a população indígena no Espírito Santo, abordando temas como gênero, escolaridade, distribuição geográfica, participação política e acesso a direitos básicos.
Os dados revelam um panorama detalhado dos grupos que vivem no Estado e descendem de povos originários como Tupiniquins, Guaranis, Botocudos, Aimorés (também conhecidos como Krenaks) e Pataxós. O estudo diferencia as chamadas localidades indígenas — agrupamentos em determinadas regiões — das Terras Indígenas, que são territórios oficialmente demarcados. No Espírito Santo, 13 das 16 localidades identificadas estão situadas em áreas reconhecidas pelo governo federal, o que representa 81,2% do total.
Segundo o levantamento, os indígenas representam 0,4% da população capixaba, com 14.410 pessoas. O município de Aracruz concentra 51,5% desse total (7.425 pessoas), seguido por Serra, com 9,2% (1.326), e Vila Velha, com 6% (866).
As mulheres indígenas são maioria no Estado, representando 51,1% da população, enquanto os homens somam 48,9%. Além disso, elas exercem papéis centrais na preservação da cultura, na agricultura, na coleta e na transmissão dos saberes tradicionais.
O estudo destaca também a juventude dos povos indígenas no Espírito Santo. Pessoas entre 15 e 29 anos representam 22,3% da população, enquanto crianças de 0 a 14 anos somam 20,1%, e idosos com 60 anos ou mais correspondem a 16,2%.
A taxa de alfabetização da população indígena capixaba com 15 anos ou mais é de 91%, um índice próximo ao dos não indígenas, que é de 94,4%. O diretor-geral do IJSN, Pablo Lira, ressalta que o dado mostra avanços importantes: “Esses grupos estão sendo alcançados pelo ensino regular. Além disso, o Espírito Santo apresenta uma taxa bruta de frequência escolar superior à média da região Sudeste: 26,1% no Estado, contra 23,9% na região”.
A publicação também chama atenção para as desigualdades no acesso à infraestrutura básica, especialmente no abastecimento de água e no esgotamento sanitário. Entre os não indígenas, 90,8% têm acesso à água, contra 79,9% entre os indígenas — uma diferença de 11,1 pontos percentuais. Já no esgotamento sanitário, a diferença é ainda mais acentuada: 43% da população indígena não possui sistema adequado, frente a 17% dos não indígenas.
Outro ponto de destaque é a participação política. Nas eleições de 2022 e 2024, o Brasil elegeu 261 representantes autodeclarados indígenas. No Espírito Santo, foram três eleitos nesse período, reforçando a importância de ampliar o espaço e a visibilidade desses povos nas decisões públicas.
Apesar da crescente urbanização — 60,5% dos indígenas no Estado vivem em áreas urbanas, número semelhante ao da média nacional (54%) —, os desafios históricos de reconhecimento territorial e garantia de direitos seguem como pautas urgentes para o fortalecimento da presença indígena em todos os âmbitos da sociedade.
Por: Ascom Governo do ES




