
Ação policial é a mais letal da história do estado; dezenas de corpos foram retirados de área de mata por moradores, e denúncias de execuções geram pressão sobre o governo.
O Governo do Rio confirmou 121 mortos na megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão. Moradores relatam retirada de dezenas de corpos de mata e possíveis execuções. Ação é a mais violenta da história do estado.
Governo confirma 121 mortos em megaoperação
O Governo do Estado do Rio de Janeiro confirmou, na manhã desta quarta-feira (29), que 121 pessoas morreram durante e após a megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital. Segundo o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, entre as vítimas estão quatro policiais e 117 suspeitos de ligação com o crime organizado. No entanto, segundo informação da Defensoria Pública do Rio de Janeiro ao Portal Terra, o número de mortes na mega-operação nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, chegou a 132.
Moradores retiram dezenas de corpos de mata
Moradores relataram que dezenas de corpos foram encontrados em uma área de mata na Penha e retirados por populares até uma praça da comunidade. Estimativas apontam que ao menos 70 corpos foram carregados de forma improvisada, sem o apoio imediato de equipes de resgate.
Operação é a mais violenta da história do Rio
A ação é considerada a mais letal já registrada no estado, superando outras grandes operações policiais no Rio de Janeiro. A ofensiva mobilizou policiais civis, militares, veículos blindados e helicópteros, com o objetivo de enfraquecer o Comando Vermelho, facção que domina parte das comunidades.
Indícios de execuções e denúncias de abusos
De acordo com relatos de moradores e vídeos divulgados nas redes sociais, muitos corpos apresentavam sinais de tiros à queima-roupa, estavam amarrados ou vestiam roupas camufladas. Entidades de direitos humanos denunciam possíveis execuções sumárias e pedem uma investigação independente sobre as circunstâncias das mortes.
Governo nega excessos e promete apuração
Em nota oficial, o governo estadual afirmou que a operação foi “necessária para conter o avanço de grupos armados e garantir a segurança da população”. O secretário Felipe Curi negou abusos, mas confirmou que a Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público do Rio acompanharão as investigações.
Pressão de órgãos de direitos humanos
A Comissão de Direitos Humanos da Alerj, a Defensoria Pública e o Ministério Público Estadual cobraram explicações do governo e acesso aos laudos periciais. As instituições afirmam que a letalidade registrada “é incompatível com uma ação de segurança pública regular” e pedem transparência e responsabilização.
Madrugada de terror nas comunidades
Moradores relataram tiroteios intensos, explosões e sobrevoo de helicópteros durante toda a madrugada. Muitas famílias ficaram presas em casa sem energia ou comunicação, enquanto outras deixaram a região em meio ao confronto. Relatos apontam para pânico e destruição em diversas áreas dos complexos.
Debate sobre segurança pública ganha força
O episódio reacende o debate sobre a política de segurança pública do Rio, marcada por operações de grande porte em áreas densamente povoadas. Especialistas alertam que o número de mortos é “incompatível com qualquer padrão aceitável de enfrentamento armado” e cobram mudanças estruturais na estratégia de combate ao crime.
Famílias buscam informações no IML
Enquanto as autoridades realizam a identificação dos corpos, dezenas de famílias de desaparecidos aguardam notícias no Instituto Médico-Legal (IML). O governo prometeu divulgar um relatório oficial completo com o número de mortos, feridos, presos e materiais apreendidos nos próximos dias.
Tragédia marca a história da segurança pública fluminense
A megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão entra para a história como a mais violenta já registrada no estado do Rio de Janeiro, deixando um rastro de dor, medo e questionamentos sobre os limites da ação policial no combate ao crime organizado.
Capixaba Hoje