O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (6), menos de um mês após sua nomeação pelo presidente Emmanuel Macron, informou o Palácio do Eliseu. A decisão ocorreu apenas 14 horas depois que Lecornu apresentou seu novo gabinete, em meio a ameaças de derrubada de aliados e adversários, provocando queda nas ações francesas e no euro.
A rápida renúncia marca um episódio sem precedentes na política francesa, refletindo a instabilidade crescente desde a reeleição de Macron em 2022. O país enfrenta um Parlamento fragmentado, sem maioria clara, e Lecornu se tornou o quinto primeiro-ministro em dois anos. O partido de ultradireita Reunião Nacional imediatamente pediu eleições parlamentares antecipadas.
Após semanas de negociações com diferentes partidos, Lecornu apresentou seu novo gabinete no domingo (5). A composição, considerada pouco alinhada à direita por alguns aliados e opositores, gerou questionamentos sobre a durabilidade do governo. Na manhã desta segunda-feira, ele entregou sua renúncia, aceita pelo presidente Macron, segundo a assessoria do Eliseu.
O impacto econômico foi imediato. O CAC 40, principal índice de Paris, caiu 1,5%, tornando-se o de pior desempenho na Europa. As ações do setor bancário sofreram quedas entre 4% e 5%, afetando bancos como BNP Paribas, Société Générale e Crédit Agricole. O euro também recuou 0,7%, cotado a US$ 1,1665.
Jordan Bardella, líder do Reunião Nacional, afirmou que a estabilidade política só retornará com a dissolução da Assembleia Nacional e novas eleições.
A França atravessa, assim, mais um capítulo de uma crise política que, segundo analistas, ainda não tem sinais de solução.
Com informações da agência Reuters