
REDAÇÃO | CAPIXABA HOJE
O Balneário de Guriri, em São Mateus, está prestes a vivenciar o que as lideranças locais chamam de “a maior transformação de sua história”. Em agenda realizada no balneário, o Diretor-Geral do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES), Eustáquio de Freitas, detalhou o avanço da macrodrenagem, projeto que visa sepultar décadas de alagamentos e isolamento. Com a Bacia 2 já em obras, o foco agora se volta para o Lado Norte (Bacia 1), que terá um edital histórico publicado ainda este mês.
O gigante de concreto: Os números da Bacia 1
A magnitude do projeto impressiona até os técnicos mais experientes. Segundo a apresentação oficial do DER-ES, a Bacia 1 compreende 13.567 metros de galerias e uma capacidade de drenagem de 15 mil litros por segundo. O investimento previsto é de exatos R$ 321.862.357,06.
“Um sistema de macrodrenagem jamais visto no estado do Espírito Santo, é o que se coloca aqui no Balneário de Guriri”, afirmou Eustáquio de Freitas. Ele destacou que a obra vai além de tubulações: “Para além das galerias simples 2×2, dupla 2×2, triplas 2×2, dupla 3×3… nós estamos fazendo pavimentação com blocos intertravados em toda a extensão dessas avenidas gigantes, fazendo as calçadas cidadãs para dotar de infraestrutura para mobilidade para as pessoas”.

A estratégia do “Casão” e o calendário das obras
Questionado sobre o porquê da divisão do projeto, Freitas explicou que o alto valor exigiu uma fragmentação inteligente para garantir a execução. “O governador distribuiu essa obra em três etapas: Bacia 2, Bacia 1 e Bacia 3, dado o altíssimo valor com que ficou essa obra para contemplar todo o balneário. Para eliminar definitivamente os alagamentos que tanto incomodam”.
Atualmente, a Bacia 2 (Lado Sul) apresenta mais de 25% de execução. A grande expectativa, contudo, recai sobre o Lado Norte. “Essa contratação [Bacia 1] deve acontecer ainda esse mês. A publicação do edital de licitação para contratar a empresa, é óbvio, daquele mecanismo de RDC – Regime Diferenciado de Contratação Integrada”, empenhou Freitas.
O pulsar da comunidade: “Vitória da mobilização”
Se para o Estado a obra é um marco de gestão, para quem pisa na areia de Guriri o sentimento é de alívio. Roseli Celestino, presidente da Associação Acorda Guriri, reforça que o anúncio não foi um presente, mas uma conquista de quem não se calou.
“A Associação Acorda Guriri vem cobrando isso há muito tempo. Nós participamos de várias audiências, fomos ao governo do estado, e hoje receber a notícia de que a Bacia 1 finalmente vai ser licitada é uma vitória da mobilização comunitária”, pontuou Roseli. Ela garante que a vigilância será constante: “A comunidade quer acompanhar de perto para que a obra não pare. O sentimento é de vitória, mas com o pé no chão, aguardando a publicação oficial desse edital”.
O morador André Lapampa compartilha do otimismo, mas recorda as cicatrizes deixadas pelas chuvas passadas. “É a realização de um sonho. A gente mora aqui há muitos anos e vê a dificuldade que é o período de chuva. Guriri não aguenta mais ficar debaixo d’água todo ano. Ver o Freitas aqui hoje trazendo esse detalhamento dá uma esperança muito grande”.

O “nó” da Othovarino Costa e o cenário político
Nem só de drenagem vive a pauta de infraestrutura em São Mateus. Freitas também abordou a complexidade da duplicação da rodovia Othovarino Costa, especialmente no trecho entre Pedra d’Água e o Sernambi (BR-101).
“Talvez seja o trecho de maior complexidade de ser executado em São Mateus, dado o volume de desapropriações. Só na Pedra d’Água são mais de 20 desapropriações. Estamos com quatro tramitações de emissão de posse no judiciário. Saindo essas emissões, as coisas vão caminhando”, explicou o diretor do DER.
Encerrando a agenda, Freitas não fugiu das perguntas sobre seu futuro político, vinculando sua produtividade no DER à sua representatividade regional. “O dia a dia meu está falando de mim e eu estou sendo avaliado a partir desse dia a dia. É imprescindível que o nosso município, grande e gigante que é, tenha essa representatividade no ambiente de fala, na Câmara Federal”.

Raio-X da Bacia 1 (Lado Norte)
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Investimento: R$ 321,8 milhões.
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Drenagem: 13,5 km de galerias de concreto.
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Tecnologia: 3 Casas de Bombas (Estações de Bombeamento).
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Urbanização: 125 mil m² de pavimentação e calçadas cidadãs.
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Prazo do Edital: Março de 2026.