O vôlei de praia masculino tem sido dominado nos últimos anos por duplas oriundas da Europa, sobretudo de países escandinavos. Anders Mol e Christian Sorum simbolizam a consolidação desse cenário, levando a Noruega ao centro dos holofotes dos esportes de areia com o ouro em Tóquio 2020 e o bronze em Paris 2024. O Brasil pode se considerar culpado por ter estimulado a criação de um concorrente tão forte na modalidade, já que os “vikings do vôlei de praia” tiveram, entre outras influências, os campeões olímpicos de Atenas 2004, Emanuel e Ricardo.

Mol e Sorum tinham apenas nove e onze anos de idade, respectivamente, quando viram os brasileiros ganharem o Grand Slam de Stavanger, o equivalente ao atual Elite 16 do Circuito Mundial, em 2005. Assistir aos recém-campeões olímpicos de perto desenvolveu em Mol o sonho de ter suas próprias conquistas no vôlei de praia, como contou o jogador de 28 anos e 2m em entrevista ao Lance!.

— Tivemos o torneio de vôlei de praia de Stavanger, que foi muito importante para nós dois. Fomos muito inspirados por esse torneio. Eu estava lá torcendo e assistindo Emanuel e Ricardo vencerem, e isso para mim foi muito inspirador. Foi onde meu sonho começou e eu percebi que queria ser como eles.
Anders Mol em ação na etapa de Brasília do Circuito Mundial (Foto: Volleyball World)
Anders Mol em ação na etapa de Brasília do Circuito Mundial de Vôlei de Praia (Foto: Volleyball World)

Tradição familiar no vôlei de praia

Anders não é o único membro da família Mol cujo coração bateu mais forte pelo vôlei de praia. A mãe, Merita Berntsen, disputou os Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, edição de estreia da modalidade. O pai, Kare Mol, é ex-jogador e foi treinador do filho nas duas últimas Olimpíadas. O tio, Jetmund Berntsen, também fez parte da comissão técnica. O irmão, Hendrik, é contemporâneo e forma dupla com o primo, Mathias Berntsen.

Parceiro de Anders Mol, Christian Sorum também relata que foi influenciado a jogar pelos pais, que se conheceram graças ao vôlei e praticavam de maneira amadora. Para o atleta de 30 anos e 1,95m, a virada de chave aconteceu no Campeonato Mundial de 2009, na mesma Stavanger, quando contemplou o alto nível da modalidade. Naquele torneio, Emanuel e Ricardo foram eliminados nas quartas de final, no último ano da dupla.

— Meus pais também jogavam vôlei. Eles se encontraram na quadra, e eu cresci com eles jogando. Não tão profissional como os pais dele (Mol), era mais como um nível amador. Depois teve o Campeonato Mundial em Stavanger, em 2009. E aí, eu pude conhecer o nível profissional do esporte e realmente me encantei por ele. Então, eu disse: ‘Eu quero ser o melhor nesse esporte.’ Depois de muito treino, muitas viagens, estamos aqui.
Christian Sorum em ação na etapa de Brasília do Circuito Mundial (Foto: Volleyball World)
Christian Sorum em ação na etapa de Brasília do Circuito Mundial de Vôlei de Praia (Foto: Volleyball World)

Do frio norueguês para o calor brasileiro

Com invernos mais longos e predominantemente frios, a Noruega possui um clima incompatível com o do Brasil, onde aconteceram as primeiras etapas do Circuito Mundial em 2026. Mol e Sorum precisaram buscar alternativas para se preparar visando as competições em Saquarema (RJ) e Brasília (DF) — a dupla não participou do torneio em João Pessoa (PB).

Para sentir o verdadeiro calor do vôlei de praia, os “vikings” treinam algumas semanas antes dos jogos em Tenerife, maior das ilhas Canárias espanholas, que registra média de temperatura máxima inferior a 30ºC no verão. Já na Noruega, devido ao clima impróprio, eles utilizam uma quadra de areia fechada.

Mesmo com todas essas estratégias, Mol afirma que não há nada que se compare às condições climáticas do Brasil. Foi por isso que, dias antes do início da etapa de Saquarema, os noruegueses já estavam treinando na praia do Leblon, no Rio de Janeiro.

— Na Noruega, é muito frio. Temos um centro de vôlei de praia indoor, como uma “caixa de areia”, em que praticamos. Nós treinamos um pouco lá, mas também vamos muito a Tenerife para sentir o calor das Ilhas Canárias. É uma espécie de segunda casa para nós. Então, é assim que lidamos com o vento, a temperatura, mas nada é como as temperaturas aqui no Brasil. Aqui é muito úmido, e é algo que nós não estamos acostumados na Noruega. É por isso que nós também viemos uma semana antes e nos preparamos.

Perguntado se gostaria de realizar um período de treinamentos em terras tupiniquins, Sorum recusou a oferta devido à distância de casa e ao desgaste que já existe com a rotina atual de viagens. Além disso, Christian explica que, com a ascensão do vôlei de praia na Europa, os atletas têm opções mais próximas de bases de preparação e não dependem mais de enfrentar duplas brasileiras para evoluir.

— Isso era muito comum antes. No passado, todos faziam isso, porque o Brasil era o melhor país para jogar contra e todos se reuniam aqui. Mas agora temos um monte de times fortes na Europa. Então, nós vamos algumas semanas antes para Tenerife, porque é bem longe para nós irmos para o Brasil e depois voltarmos para casa. Nós já viajamos muito, então é bom ficar um pouco mais perto. Não tem espaço para ficar no Brasil por seis meses, porque tem torneios em todos os lugares.

Resultados de Mol e Sorum em 2026

Anders Mol e Christian Sorum conquistam a etapa de Saquarema do Circuito Mundial (Foto: Volleyball World)
Anders Mol e Christian Sorum conquistam a etapa de Saquarema do Circuito Mundial de Vôlei de Praia (Foto: Volleyball World)

Nesta temporada, Mol e Sorum acumulam duas participações em etapas do Circuito Mundial e um título, em Saquarema. Em Brasília, os “vikings” foram eliminados nas quartas de final.

Os norugueses disputaram 12 partidas, com 9 vitórias e 3 derrotas. Até o momento, a única dupla brasileira a conseguir batê-los no ano foi Arthur e Adrielson, por 2 sets a 1, pela primeira rodada da fase de grupos da etapa de Brasília.

Anders Mol e Christian Sorum voltam à ação em Ostrava, na República Tcheca, entre os dias 27 e 31 de maio. Será a quarta etapa do Circuito Mundial em 2026, a primeira fora do Brasil.

Informações: Lance!