O ator Lúcio Mauro Filho revelou que recebeu um diagnóstico de câncer no intestino durante um check-up realizado após tratar complicações da Covid-19.

O caso ocorreu originalmente em 2022, durante a realização de uma colonoscopia de rotina. Na ocasião, o exame detectou um carcinoma em estágio inicial, o que permitiu uma intervenção rápida e evitou procedimentos mais dolorosos.

“Graças ao exame resolvi tudo por ali, sem necessidade de tratamentos invasivos. Foi uma sorte muito grande […] É muito mais fácil quando a gente descobre lá na raiz. Foi o meu caso. Tratei rapidamente e deu tudo certo”, detalhou o artista ao relembrar o susto.

Lucio Mauro Filho

Câncer de intestino: os sinais de alerta da doença que afetou Lúcio Mauro Filho

O câncer de intestino abrange os tumores que se iniciam no intestino grosso, chamado cólon, e no reto (15-12cm finais do intestino, imediatamente antes do ânus). Também é conhecido como câncer de cólon e reto ou colorretal. O câncer de intestino é um dos tipos de câncer mais comuns no mundo, sendo o terceiro mais incidente no Brasil.

Segundo o oncologista Ramon Andrade de Mello, os principais fatores de risco das neoplasias colorretais são obesidade, consumo de alimentos processados e um estilo de vida sedentário. “A idade também é um fator de risco importante, sendo que há uma maior suscetibilidade para o desenvolvimento desse tipo de neoplasia após os 50 anos”.
Um dos principais métodos para o rastreamento das neoplasias colorretais é o exame chamado de pesquisa de sangue oculto nas fezes. “Ele deve ser feito anualmente e, dependendo do resultado, o médico poderá indicar uma investigação mais aprofundada, com exames como retossigmoidoscopia ou mesmo a colonoscopia total”, diz Ramon, que acrescenta que em alguns casos, como pacientes com histórico familiar de doenças genéticas associadas às neoplasias do intestino, pode haver indicação direta para realização da colonoscopia sem precisar realizar o teste de sangue oculto nas fezes.
De acordo com informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca), além do diagnóstico precoce, a Organização Mundial da Saúde preconiza que os países com condições de garantir a confirmação diagnóstica, referência e tratamento, realizem o rastreamento do câncer de cólon e reto em pessoas assintomáticas por meio do exame de sangue oculto de fezes. Caso o teste seja positivo (constate a presença de sangue), a pessoa deverá fazer um exame endoscópico (colonoscopia ou retossigmoidoscopia), que permitirá ao médico visualizar a parte interna do intestino para ver se há câncer ou pólipos que possam vir a se transformar em câncer. Ao retirar os pólipos, se evita a própria ocorrência do câncer.
O médico Olival de Oliveira Jr., da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) diz que o câncer colorretal é uma doença que pode ser prevenida e, principalmente, detectada antes mesmo do aparecimento dos sintomas. “O rastreamento permite identificar pólipos, lesões benignas que podem ser removidas antes de se transformarem em câncer, além de diagnosticar tumores em fases iniciais, quando as chances de cura ultrapassam 90%. Nosso desafio é conscientizar a população sobre a importância de realizar os exames no momento adequado”.

Rastreamento do câncer

A American Cancer Society (ACS) mantém a recomendação de que o rastreamento do câncer colorretal seja iniciado a partir dos 45 anos para adultos com risco habitual, mas atualizou suas diretrizes ao ampliar as opções de exames disponíveis. Publicada na revista CA: A Cancer Journal for Clinicians, a atualização inclui novas opções de rastreamento: testes que detectam DNA tumoral no sangue (Cologuard e ColoSense, ambos ainda não disponíveis em larga escala no Brasil) e um exame que analisa amostras de fezes em busca de biomarcadores de RNA/DNA tumoral, além de sangue (Shield).

De acordo com a diretriz da ACS, a colonoscopia permanece sendo o padrão-ouro na prevenção do câncer colorretal, sendo recomendada para pacientes em que o exame de sangue ou de fezes tenha sido positivo.

Em maio deste ano, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação do Teste Imunoquímico Fecal (FIT) no SUS como exame inicial para o rastreamento do câncer colorretal, recomendado para pessoas assintomáticas com risco habitual entre 50 e 75 anos. O teste detecta sangue oculto nas fezes e, quando positivo, indica a necessidade de colonoscopia.

A medida representa um avanço importante, especialmente diante do cenário atual, em que mais de 60% dos casos desse tipo de câncer ainda são diagnosticados em estágios avançados na rede pública de saúde, segundo o estudo “Câncer colorretal no Brasil – O desafio invisível do diagnóstico”, da Fundação do Câncer.

Pessoas com histórico familiar de câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes hereditárias requerem o início mais precoce do rastreamento, pois essas condições elevam o risco de câncer colorretal.

Além da American Cancer Society, a U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) também recomenda que pessoas com risco habitual iniciem o rastreamento do câncer colorretal aos 45 anos. E alguns países de risco elevado, como o Japão, recomendam que pacientes com histórico familiar sejam investigados a partir dos 40 anos de idade.

Por: A Gazeta