Às vésperas do último amistoso da Seleção Brasileira antes da estreia na Copa do Mundo, o técnico Carlo Ancelotti admitiu que a missão de conduzir o Brasil em busca do hexacampeonato representa um dos maiores desafios de sua trajetória no futebol. Nesta sexta-feira (5), o treinador concedeu entrevista coletiva antes da partida contra o Egito, marcada para sábado (6), em Cleveland. A estreia brasileira no Mundial será no dia 13, diante do Marrocos, em Nova Jersey.
Acostumado a disputar e conquistar títulos nos maiores clubes do planeta, Ancelotti chega ao comando da Seleção carregando um currículo que inclui múltiplas conquistas da Liga dos Campeões da Europa e passagens vitoriosas por gigantes do futebol mundial. Ainda assim, o italiano reconhece que a responsabilidade de liderar o Brasil em uma Copa do Mundo tem um peso especial.
Questionado sobre a pressão de buscar o sexto título mundial para a Seleção, o treinador destacou a dimensão do desafio, mas também ressaltou a felicidade de viver esse momento.
— Já respondi na semana passada, é um desafio muito grande, uma responsabilidade muito grande, mas também poder viver esse período é uma felicidade muito grande.
A busca pelo hexa inevitavelmente traz comparações com outras campanhas históricas da Seleção. Durante a entrevista, Ancelotti foi questionado sobre Luiz Felipe Scolari, que em 2002 criou o conceito da chamada “Família Scolari” e conduziu o Brasil ao pentacampeonato mundial.
Felipão tem uma relação próxima com o atual treinador da Seleção. Foi ele quem recebeu Ancelotti em sua apresentação oficial no cargo, entregando simbolicamente um agasalho da equipe nacional. O campeão mundial também participou dos primeiros dias de preparação do grupo na Granja Comary.
Ao comentar a importância de manter um ambiente harmonioso dentro do elenco, Ancelotti respondeu em tom descontraído, demonstrando experiência para lidar com os desafios naturais de uma competição tão longa e competitiva.
— Nesse momento todo mundo está contente e feliz, vamos ver a cara dos jogadores que não jogam depois do primeiro jogo, mas estou acostumado com tudo isso. Começar com um bom ambiente é uma vantagem.
A declaração arrancou risadas dos jornalistas presentes e evidenciou uma das características mais conhecidas da carreira do treinador: a habilidade de administrar grandes elencos repletos de estrelas. Ao longo de décadas no futebol europeu, Ancelotti acumulou experiências em vestiários de clubes como o Real Madrid, Milan, Chelsea, Bayern de Munique e Paris Saint-Germain, convivendo diariamente com atletas acostumados ao protagonismo.
Outro tema abordado durante a coletiva foi a influência de suas origens italiana e do estilo tradicionalmente associado ao futebol brasileiro. Desde que assumiu a Seleção, existe a expectativa sobre qual identidade será predominante na equipe durante a Copa do Mundo.
Com bom humor, Ancelotti resumiu sua visão sobre a combinação entre as duas escolas futebolísticas.
— Ser brasileiro é genética, ser italiano é trabalho. Tem que combinar as duas coisas. Um ítalo-brasileiro pode ganhar a Copa do Mundo, só italiano não, só brasileiro também não. Tem que combinar as duas coisas.
A resposta reforça a ideia que o treinador vem tentando implementar desde o início de seu trabalho: unir a criatividade, a técnica e a capacidade de improvisação tradicionalmente associadas ao futebol brasileiro com a organização, disciplina tática e competitividade características do futebol italiano.
Antes da estreia no Mundial, o Brasil terá mais uma oportunidade para realizar ajustes. O amistoso diante do Egito servirá como o último teste da equipe de Ancelotti antes do início da caminhada rumo ao sonho do hexacampeonato. Em Cleveland, o treinador espera observar o comportamento do grupo em um cenário cada vez mais próximo do que encontrará na Copa do Mundo, competição que considera um dos maiores desafios de sua consagrada carreira.

Outros trechos da coletiva de Ancelotti na Seleção
CLUBE X SELEÇÃO
— Claro que penso que há diferença entre treinar um clube e uma seleção. Por exemplo nessa semana fizemos um trabalho que nunca pude fazer no clube. Aqui por sorte fazemos boa semana no treino, isso faz uma diferença muito importante. Aqui temos tempo para treinar, e a equipe pode jogar com qualidade.
SELEÇÃO EM FUNÇÃO DO ADVERSÁRIO
— Obviamente, você tem que levar em conta o adversário, mas isso não vai mudar nossa escalação, nosso sistema ou nossa estratégia de acordo com as características do adversário Quero ver outra opção de equipe, a última possibilidade de fazê-lo eu vou fazer. O que está claro é que o sistema não muda, é 4-4-2 e não vai mudar.
MEXIDAS DURANTE A COPA
— Eu acho que estou convencido que tenho uma lista muito forte e quero aproveitar essa lista. Não quero focar minha cabeça no time titular do primeiro jogo. Quero treinar essa lista e aproveitar essa lista. É uma lista com muitos recursos.
Por: Lance!



