
Depois de dois anos fechado para obras de restauro e readequação, o Theatro Carlos Gomes reabriu suas portas neste sábado (22), devolvendo à Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória, um dos mais importantes monumentos culturais do Espírito Santo. Inaugurado em 1927 e inspirado no Teatro Alla Scala de Milão, o espaço projetado pelo arquiteto italiano autodidata André Carloni passou por uma ampla recuperação que resgatou características arquitetônicas, estéticas e históricas.
A cerimônia de reabertura atraiu grande público e contou com apresentação da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (OSES), que recebeu o cantor capixaba Silva, um dos principais nomes da nova música popular brasileira. Enquanto as atrações musicais aconteciam do lado de fora, o teatro permaneceu aberto à visitação, exibindo o resultado do restauro e uma intervenção artística da artista Flávia Junqueira.

Durante o evento, o governador Renato Casagrande anunciou a programação da temporada de reinauguração, já definida até março de 2026, além da previsão de abertura do edital de concessão para a nova cafeteria e o início das visitas mediadas ao público, que ocorrerão duas vezes por semana. Ele destacou que a reabertura encerra um “problema histórico” de manter o teatro fechado e reforça a revitalização cultural do Centro de Vitória.
As obras foram executadas pelo Instituto Modus Vivendi, por meio de cooperação entre o Governo do Estado e a Secretaria da Cultura (Secult), dentro do programa Resgatando a História, com recursos do BNDES e da EDP via Lei Rouanet. O investimento total foi de R$ 20 milhões, divididos igualmente entre as duas instituições financiadoras.

Para o secretário de Estado da Cultura, Fabricio Noronha, o restauro representa a recuperação de um patrimônio arquitetônico e afetivo, além de reafirmar o compromisso do governo com a memória e o futuro da criação artística no Espírito Santo. Segundo ele, a expectativa é que o teatro volte a ser um espaço vivo, aberto a diversas linguagens e inspirado para novas gerações de artistas.
O projeto também devolve ao público um palco histórico que já recebeu grandes ícones, como Bibi Ferreira, Paulo Autran e Fernanda Montenegro. Com a restauração, o Carlos Gomes resgata sua vocação original e volta a sediar espetáculos, shows e eventos, fortalecendo sua relevância cultural.

A presidente do Instituto Modus Vivendi, Erika Kunkel, ressaltou avanços como novos elevadores para orquestra e público, climatização moderna, banheiros acessíveis e a reinstalação da cafeteria com vista para a praça. Ela destacou ainda o restauro do lustre de cristal e da pintura do artista Homero Massena, ambos preservados com rigor técnico.
Representando o BNDES, a superintendente Marina Moreira reforçou que restaurar patrimônios históricos é também investir no desenvolvimento cultural e econômico, gerando emprego, renda e fortalecendo a cadeia produtiva da cultura. Já o diretor da EDP no Espírito Santo, Edson Barbosa, afirmou que apoiar ações socioculturais é parte do compromisso da empresa com o Estado pelos próximos 30 anos.

O restauro revelou elementos importantes da arquitetura eclética original do teatro, como douramentos em folhas de ouro, pinturas marmorizadas, gradis decorados, colunas metalizadas e a cor camurça, identificada como tonalidade mais antiga do edifício por meio de prospecção estratigráfica.
Entre os destaques técnicos, o projeto renovou toda a estrutura cênica, instalou moderna iluminação e sonorização, restaurou a fachada ornamentada por esculturas de Apolo e outras figuras das artes, preservou o mobiliário histórico, implementou sistemas de segurança como a cortina corta-fogo e ampliou o acesso com elevadores e áreas internas modernizadas.

Inaugurado em 5 de janeiro de 1927, o Theatro Carlos Gomes é uma das mais importantes obras do ecletismo arquitetônico no Brasil, marcado por interiores luxuosos, fingimentos artísticos e elementos decorativos que expressam a estética da época. Agora restaurado, o teatro volta a ocupar seu lugar como referência cultural e afetiva para os capixabas.
Da Redação – Com informações Secom/Gov. ES