
O novo índice global de conflitos da organização Armed Conflict Event Location and Data Project (ACLED) coloca México, Equador, Brasil e Haiti entre os dez países mais perigosos do mundo em 2025. A classificação, divulgada nesta quinta-feira, reúne quatro indicadores: mortalidade, risco para civis, alcance territorial da violência e número de grupos armados em atuação.
O levantamento mostra que a expansão de gangues e a intensificação de confrontos reconfiguram o cenário de segurança na região. O Equador é o caso mais expressivo, ao subir 36 posições no ranking depois de registrar aumento acelerado da violência associada a facções que disputam rotas do narcotráfico. Segundo o relatório, mais de 3.600 mortes foram atribuídas a conflitos desse tipo ao longo do ano, impulsionadas pela rivalidade entre os grupos Los Lobos e Los Choneros e pela fragmentação gerada após a prisão e morte de lideranças.
O México permanece entre os quatro países mais violentos do mundo. A ACLED aponta que a disputa interna no Cartel de Sinaloa, desencadeada após a prisão de Ismael “El Mayo” Zambada em julho de 2024, alterou a dinâmica criminal em diversas regiões. A reorganização do grupo, segundo a entidade, deve continuar influenciando índices de homicídio e a distribuição territorial dos confrontos. O país também enfrenta violência contra agentes públicos, com 360 ataques registrados no último ano.

No Brasil, a disputa entre facções por áreas de influência mantém o país na sétima posição do ranking. Em outubro, uma operação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro resultou em mais de 120 mortes, evidenciando o peso das ações de grupos armados na deterioração do cenário de segurança.
O Haiti aparece logo atrás, em oitavo lugar, afetado pelo avanço das gangues desde a crise política posterior ao assassinato do presidente Jovenel Moïse, em 2021. A atuação desses grupos, concentrada principalmente em Porto Príncipe, levou o Conselho de Segurança da ONU a autorizar, neste ano, o envio de uma força multinacional com mais de 5.000 integrantes.
Para a ACLED, o aumento da violência persiste mesmo diante do envio de mais militares às ruas. A entidade avalia que políticas de militarização da segurança pública podem conter episódios violentos no curto prazo, mas tendem a ampliar a fragmentação de facções, gerar novos focos de conflito e elevar o risco de abusos por parte do Estado ao longo do tempo.
A análise também aponta que medidas de tolerância zero continuam politicamente populares na região, enquanto pressões externas, em especial dos Estados Unidos por ações mais duras contra o narcotráfico, contribuem para a manutenção dessas estratégias.
Ranking dos 10 países mais perigosos do mundo em 2025, segundo a ACLED:
Palestina; Mianmar; Síria; México; Nigéria; Equador; Brasil; Haiti; Sudão; Paquistão.
Por: CNN Brasil