Costa Rica inaugura mega prisão inspirada em modelo de El Salvador
Unidade tem capacidade para 5,1 mil detentos e integra estratégia de combate ao crime organizado após recordes de homicídios no país
A Costa Rica inaugurou nesta quarta-feira (14) uma prisão de segurança máxima com capacidade para 5,1 mil detentos, em uma tentativa de conter o avanço do crime organizado e reduzir a violência. O complexo, localizado próximo à capital, San José, foi inspirado no modelo prisional adotado por El Salvador durante o governo de Nayib Bukele.
Batizada de Centro de Alta Contenção contra o Crime Organizado (CACCO), a unidade recebeu investimentos superiores a 16,774 bilhões de colones costa-riquenhos, equivalentes a aproximadamente US$ 36,8 milhões. A capacidade do presídio corresponde a cerca de 20% da população carcerária atual do país.
A inauguração foi conduzida pela presidente costa-riquenha, Laura Fernández, que defendeu o endurecimento das medidas de segurança e afirmou que o objetivo é impedir que criminosos continuem exercendo influência dentro do sistema penitenciário.
Segundo Fernández, a nova estrutura foi projetada para receber detentos considerados de alta periculosidade. A presidente também declarou que a política de segurança deverá respeitar os direitos fundamentais dos presos.
Alta dos homicídios pressiona governo
A inauguração ocorre após uma sequência de anos com números elevados de assassinatos na Costa Rica, país historicamente considerado um dos mais seguros da América Latina.
Dados judiciais apontam que o país registrou 905 homicídios em 2023. O total caiu para 876 em 2024 e 873 em 2025, mas permaneceu acima dos níveis observados anteriormente.
Autoridades atribuem a maior parte dos casos a disputas entre organizações criminosas pelo controle de rotas do tráfico de drogas e de mercados locais.
O ministro da Justiça, Gabriel Aguilar, afirmou que o novo complexo faz parte de uma estratégia para recuperar o controle estatal das unidades prisionais, que, segundo ele, sofreram infiltração de grupos criminosos. As primeiras transferências de detentos estão previstas para o fim de outubro.
Fernández também destacou que os resultados da política de segurança dependerão da atuação do Judiciário e da obtenção de mais condenações. O governo tem divergido de autoridades judiciais sobre medidas de segurança e cortes orçamentários, enquanto juízes e promotores alertam para os riscos de pressões sobre os mecanismos democráticos de controle do poder.
Presidente visitará El Salvador
A presidente anunciou que viajará a El Salvador na sexta-feira (16) para conhecer de perto a estratégia de segurança do governo Bukele, cuja política de combate às gangues serviu de referência para a construção da prisão costa-riquenha.
A ofensiva salvadorenha contra organizações criminosas foi acompanhada por uma forte redução da violência, mas também recebeu críticas de organizações de direitos humanos. As entidades denunciam detenções arbitrárias em massa, violações do devido processo legal e enfraquecimento das garantias democráticas.
Em entrevista à Reuters, Fernández também defendeu uma maior presença das forças de segurança dos Estados Unidos como forma de ampliar o combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado. Atualmente, a cooperação entre os dois países inclui patrulhamento, investigações e extradições.
Por: CNN Brasil
