POR FABIO DEL PORTO
O agronegócio, motor econômico do Norte do Espírito Santo e do Sul da Bahia, enfrenta um início de ano desafiador. O preço do mamão — nas variedades Papaya e Formosa — registrou queda pela sexta semana consecutiva, consolidando um cenário de forte instabilidade para o produtor rural capixaba.
O que explica a desvalorização?
Especialistas do setor e pesquisadores do Cepea apontam que a combinação de dois fatores principais tem “achatado” os preços no campo:
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Excesso de Oferta: O calor intenso registrado entre janeiro e o início de fevereiro acelerou a maturação das frutas. Com o mamão ficando pronto para a colheita todo ao mesmo tempo, o mercado foi inundado, superando a capacidade de absorção dos compradores.
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Qualidade e Fitossanidade: As chuvas isoladas e a alta umidade favoreceram o aparecimento de doenças fúngicas e manchas fisiológicas. Frutas com estética comprometida acabam sendo negociadas por valores muito abaixo do padrão de exportação, puxando a média geral para baixo.
Números do Mercado
Na parcial de janeiro a fevereiro de 2026, a desvalorização acumulada é alarmante. No Sul da Bahia, o mamão Formosa chegou a registrar perdas de valor superiores a 50% em relação ao topo de preço do final de 2025. No Norte capixaba, o Havaí (Papaya) segue tendência similar, com dificuldades de escoamento até mesmo para os grandes centros distribuidores, como a Ceagesp em São Paulo.
Expectativa de Estabilidade
Apesar do cenário negativo nas últimas seis semanas, há uma luz no fim do túnel. Com o avanço da colheita dos “picos de safra” e uma possível melhora na demanda interna com a proximidade do feriado de Carnaval, analistas acreditam que o mercado deve encontrar um ponto de equilíbrio e interromper a sequência de baixas nos próximos dias.
