Diretores da PF colocam cargos à disposição em apoio a chefe da PF afastado por Mendonça
Manifesto divulgado hoje afirma que o grupo decidiu se posicionar publicamente em defesa de Rodrigues e de Almada
Onze diretores da Polícia Federal (PF) colocaram os cargos à disposição nesta terça-feira (08), em reação ao afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em manifestação conjunta, os dirigentes afirmaram apoiar os dois delegados e rejeitaram acusações de que Andrei ou a PF tenham adotado uma atuação considerada não republicana, classificando as críticas como sem fundamento e influenciadas por interesses político-eleitorais.
A decisão de colocar os cargos à disposição ocorreu no mesmo dia em que a Segunda Turma do STF formou maioria para manter o afastamento de Andrei, embora o julgamento tenha sido suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes, mantendo válida, por enquanto, a decisão de Mendonça.
Os diretores afirmaram que a manifestação pretende defender a instituição diante de ataques e preservar sua atuação, enquanto o texto também sustenta que Andrei tem trajetória profissional marcada por atuação técnica e responsável, sem que críticas políticas alterem sua reputação.
Entre os signatários está Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, setor que concentra parte das apurações relacionadas ao caso Banco Master, além de responsáveis pelas áreas de Polícia Administrativa, Crimes Cibernéticos, Cooperação Internacional, Gestão de Pessoas, Polícia Técnico-Científica, Administração e Logística, Academia Nacional de Polícia, Proteção à Pessoa, Tecnologia da Informação e Amazônia e Meio Ambiente.
A crise teve origem em um relatório de inteligência produzido no âmbito da PF e posteriormente utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes em um pedido para investigar Mendonça, que questionou a validade do material e determinou o afastamento preventivo de Andrei e Almada, além de ordenar apuração pela Corregedoria da corporação.
Segundo Mendonça, o documento apresentava problemas de autenticidade e de elaboração e teria sido utilizado para analisar a atuação de autoridades, levando o ministro a determinar também a suspensão da produção e do compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a examinar atividades jurisdicionais, da advocacia pública e da polícia judiciária.
A controvérsia envolve ainda Alexandre de Moraes, que havia solicitado uma investigação contra Mendonça após a divulgação de informações obtidas pela PF sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enquanto a decisão de Mendonça passou a ser analisada pela Segunda Turma do STF.
Com o pedido de vista de Gilmar Mendes, a decisão que mantém Andrei afastado continua em vigor enquanto o julgamento não é concluído, e o ministro poderá devolver o processo para análise do colegiado dentro do prazo previsto.
Por: A Gazeta

