Entenda visita de autoridade dos EUA ao Paraguai em meio a presença militar
Número 2 do Departamento de Estado dos EUA reforça foco da administração Trump nas Américas durante passagem pela América do Sul
A aproximação entre Estados Unidos e Paraguai ganhou destaque com a chegada de Christopher Landau, número dois do Departamento de Estado norte-americano, a Assunção no domingo (18), em uma agenda diplomática que também prevê uma passagem pela Argentina nos próximos dias e busca ampliar a cooperação entre Washington e países da América Latina.
Durante a visita, Landau declarou que o governo de Donald Trump mantém a região entre suas prioridades, abrangendo desde o Canadá até a Terra do Fogo, no extremo sul do continente, e apresentou a passagem pelo território paraguaio como uma oportunidade para discutir negócios e estreitar relações entre os dois países.
O diplomata se reuniu com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e com o chanceler Rubén Ramírez Lezcano, ocasião em que ressaltou o nível de cooperação bilateral, que ganhou novos contornos após um acordo firmado entre Trump e Peña no fim de 2025 e ratificado pelo Congresso do Paraguai em março de 2026.
O entendimento permite a presença de militares norte-americanos e integrantes do Departamento de Estado em território paraguaio, além de estabelecer condições para o uso de instalações, transporte e armamentos, com garantias de imunidade semelhantes às diplomáticas, segundo as informações divulgadas sobre o acordo.
Na área de segurança regional, o Paraguai também aderiu à iniciativa conhecida como Escudo das Américas e classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), duas das principais organizações criminosas brasileiras, como grupos narcoterroristas, medida que se insere no contexto de aproximação entre os governos de Assunção e Washington.
A cooperação inclui ainda a possibilidade de o Paraguai receber imigrantes deportados pelos Estados Unidos mesmo quando essas pessoas não são originárias do território paraguaio, ampliando o alcance dos entendimentos bilaterais para além das áreas militar e diplomática.
Apesar de apresentar a visita como uma missão voltada a oportunidades de negócios, Landau não mencionou especificamente investimentos norte-americanos no Paraguai, mas abordou a atração de recursos estrangeiros para o país sul-americano.
A passagem pelo Paraguai também tem um componente pessoal para o diplomata, que viveu cinco anos no país durante a infância, período em que seu pai atuava como embaixador dos Estados Unidos, além de ter morado no Chile e na Venezuela.
Após a agenda em Assunção, Landau deverá seguir para a Argentina, dando continuidade à viagem diplomática pela América do Sul.
Por: CNN Brasil
