Escolas de educação especial em Cuba tentam se manter abertas durante crise
Falta de combustível reduziu aulas presenciais em Havana e professores improvisam materiais pedagógicos para manter o atendimento aos estudantes
A crise econômica e energética em Cuba obrigou uma escola especializada no atendimento a crianças com deficiência visual, em Havana, a reduzir as aulas presenciais para quatro dias por semana. A falta de combustível compromete o transporte escolar, enquanto apagões frequentes e a escassez de materiais pedagógicos dificultam o trabalho dos professores.
A Escola Especial Abel Santamaría atende 44 estudantes cegos ou com baixa visão, vindos de diferentes municípios da capital cubana. Os quatro ônibus utilizados no transporte dos alunos continuam em operação, mas, às sextas-feiras, as atividades são realizadas em casa, com exercícios preparados pelos professores.
“Não é a mesma coisa ter aulas presenciais, com professores capacitados, e ter aulas com o auxílio de um familiar”, afirmou a diretora da escola, Suramis Rodriguez Haberroff.
Segundo a diretora, a redução do período presencial também obrigou a instituição a diminuir conteúdos e horas de ensino em algumas disciplinas.
Apagões dificultam atividades em sala de aula
As interrupções no fornecimento de energia elétrica, que frequentemente ultrapassam 12 horas por dia em Havana, representam um obstáculo adicional. Para os alunos com baixa visão, a iluminação é fundamental para acompanhar as atividades escolares.
Quando falta eletricidade, os professores aproximam os estudantes das janelas ou transferem as aulas para pátios e corredores, aproveitando a luz natural.
A escola também enfrenta a escassez de lupas, óculos e papel para a produção de materiais em Braille. Parte dos equipamentos especializados de escrita está obsoleta, o que limita os recursos disponíveis para o atendimento dos estudantes.
De acordo com Beatriz Lopez Morales, diretora nacional de Educação Especial, Cuba dispõe de impressoras Braille em apenas três centros regionais, apesar de manter escolas para estudantes com deficiência visual em todas as províncias.
Diante das limitações, os professores improvisam materiais para manter as atividades. Entre as soluções estão suportes para livros feitos de papelão e cola e guias que ajudam os alunos com baixa visão a acompanhar as linhas dos textos.
Educação especial enfrenta restrições
Cuba mantém 330 escolas de educação especial. Segundo um relatório do governo, os prejuízos ao setor educacional ultrapassaram US$ 70 milhões no último ano.
O governo cubano atribui as perdas às sanções impostas pelos Estados Unidos. A Casa Branca, por sua vez, sustenta que o embargo tem como objetivo pressionar o regime comunista e seus dirigentes, e não a população do país.
Mesmo diante das dificuldades, a Escola Abel Santamaría continua funcionando com adaptações de horários e recursos pedagógicos.
Yarnelys Bec Abalela conhece a instituição também como ex-aluna. Ela ingressou na escola aos três anos, quando uma catarata congênita já comprometia gravemente sua visão. Depois de concluir o nono ano, formou-se professora e voltou ao local para ensinar crianças com condições semelhantes às suas.
Bec trabalha na escola há 21 anos e atualmente atua como professora terapêutica do quinto ano.
“É extremamente importante que essas escolas permaneçam abertas, pois oferecemos aos alunos a oportunidade de estudar, preparar-se e desenvolver as habilidades de que precisam para a vida”, afirmou.
Por: CNN Brasil
