EUA liberam vendas de chips da Nvidia e AMD para a China com participação nos lucros
A Nvidia e a AMD deverão repassar 15% da receita obtida com a venda de chips avançados para a China ao governo dos Estados Unidos. A medida faz parte de um acordo fechado recentemente e confirmado por fontes ouvidas pela Bloomberg,...

A Nvidia e a AMD deverão repassar 15% da receita obtida com a venda de chips avançados para a China ao governo dos Estados Unidos. A medida faz parte de um acordo fechado recentemente e confirmado por fontes ouvidas pela Bloomberg, The New York Times e Financial Times, sob condição de anonimato.
Na última sexta-feira (08), o Financial Times informou que o Departamento de Comércio começou a emitir licenças para a venda do H20, modelo da Nvidia, após reunião entre o CEO Jensen Huang e o presidente Donald Trump na quarta-feira anterior, na Casa Branca. No caso da AMD, o acordo envolve o chip MI308.
A liberação das exportações pode movimentar mais de US$ 2 bilhões. Antes das restrições, a Nvidia faturava cerca de US$ 15 bilhões com o H20 no mercado chinês, enquanto a AMD projetava US$ 800 milhões com o MI380. Ainda não está definido como o governo americano utilizará os recursos obtidos, mas, na prática, o modelo torna-o um parceiro direto nas operações das empresas no país asiático.
Há um mês, a Nvidia já tinha permissão para vender seus chips mais avançados na China, mas sem as licenças para o H20, essencial para o desenvolvimento de inteligência artificial. A AMD, por sua vez, estava proibida desde abril de vender o MI308, também usado em data centers para treinar modelos de IA em larga escala.
As vendas haviam sido bloqueadas no início do ano, em meio ao aumento das tensões comerciais entre EUA e China. Em nota, a Nvidia afirmou cumprir as regras de exportação e disse esperar condições para continuar competindo no mercado chinês. A AMD não comentou.
O anúncio ocorre dias antes do fim da trégua de 90 dias estabelecida para evitar uma guerra tarifária. Trump já declarou que o setor de semicondutores enfrentará tarifas de 100% caso não invista em fábricas no país — medida que empresas como a taiwanesa TSMC já se comprometeram a atender.
O formato do acordo é semelhante ao adotado na compra da US Steel pela japonesa Nippon Steel, que incluiu uma “ação de ouro” (golden share) com poder de veto em temas de segurança nacional.
Segundo o Wall Street Journal, o CEO da Intel, Lip-Bu Tan, deve visitar a Casa Branca nesta segunda-feira (11), poucos dias após Trump pedir sua demissão, atendendo a acusações do senador republicano Tom Cotton sobre supostos vínculos com empresas chinesas.
Por: CNN Brasil

