Golpe do falso advogado no ES: saiba como evitar cobranças falsas por WhatsApp
Criminosos usam dados reais de processos para cobrar taxas falsas e prometer a liberação de valores judiciais
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB-ES) recebeu mais de 1,3 mil denúncias de vítimas do golpe do falso advogado, fraude em que criminosos utilizam informações reais de processos judiciais para se passar por profissionais da advocacia e cobrar pagamentos indevidos.
As abordagens ocorrem principalmente pelo WhatsApp. Os golpistas identificam as partes envolvidas em ações judiciais e utilizam nomes, fotografias de advogados e informações sobre o andamento dos processos para tornar as mensagens mais convincentes.
Segundo o secretário-geral da OAB-ES, Eduardo Sarlo, uma das estratégias mais utilizadas consiste em informar falsamente às vítimas que existem valores judiciais disponíveis para recebimento. Em seguida, os criminosos solicitam transferências ou pagamentos de supostas taxas e custas para liberar o dinheiro.
Como evitar o golpe do falso advogado
A principal recomendação da OAB-ES é confirmar qualquer solicitação de pagamento diretamente com o advogado responsável pelo processo, utilizando números de telefone e canais de comunicação já conhecidos.
A entidade também orienta a população a desconfiar de mensagens que condicionem a liberação de valores judiciais a pagamentos antecipados e a não compartilhar documentos, informações bancárias ou dados pessoais com contatos desconhecidos.
Outra medida recomendada é utilizar a plataforma ConfirmADV para verificar a identidade do profissional. Nomes, fotografias e informações verdadeiras sobre processos não são suficientes para comprovar a autenticidade de uma abordagem.
Caso haja suspeita de fraude, a orientação é procurar o advogado responsável ou a unidade judicial relacionada ao processo. Quem já foi vítima deve registrar boletim de ocorrência, guardar mensagens e comprovantes de pagamento e comunicar o caso à OAB-ES.
A presidente da seccional, Erica Neves, também recomenda que os advogados alertem seus clientes sobre a existência do golpe, inclusive nos contratos de prestação de serviços, esclarecendo quais canais serão utilizados para contatos e solicitações relacionadas aos processos.
OAB-ES articula medidas contra as fraudes
Para combater os crimes, a OAB-ES criou um comitê com o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e a Polícia Civil. A iniciativa busca compartilhar informações, identificar grupos criminosos e coordenar ações contra as fraudes.
A entidade também acionou a Justiça contra operadoras de telefonia e a Meta, responsável pelo WhatsApp, para cobrar medidas que dificultem a aplicação dos golpes.
Ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a OAB-ES solicitou melhorias na segurança dos sistemas eletrônicos de processos judiciais, incluindo a adoção de autenticação em duas ou mais etapas para dificultar acessos indevidos.
A seccional ainda enviou ofícios ao Banco Central para solicitar melhorias na identificação e no bloqueio de contas e chaves Pix utilizadas nos crimes. À Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), pediu medidas para identificar e fiscalizar linhas telefônicas usadas pelos golpistas.
Segundo Erica Neves, a fraude prejudica tanto as vítimas quanto os advogados que têm seus nomes, fotografias e dados profissionais utilizados indevidamente. A presidente destacou que a informação é uma ferramenta importante para evitar novos casos.
O golpe pode configurar crimes como estelionato e falsa identidade, conforme as circunstâncias de cada ocorrência.
Por: Folha Vitória
