O Irã tem insistido que deseja garantir a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz, mas alegou novamente que os Estados Unidos estão obstruindo os esforços.

As negociações realizadas em Omã no fim de semana concentraram-se exclusivamente em um novo acordo para a via, afirmou nesta segunda-feira (13) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei.

“Nosso esforço foi chegar a um mecanismo, em consulta com Omã, para garantir a passagem segura de navios”, disse ele, mas “isso não foi alcançado devido às pressões, explícitas e veladas, dos Estados Unidos sobre Omã”.

Baghaei fez essas declarações após uma segunda noite consecutiva de ataques dos EUA em território iraniano, aos quais Teerã respondeu visando instalações militares americanas em vários países do Golfo.

Enquanto Washington “continuar a violar seus compromissos, a República Islâmica do Irã, da mesma forma, se absterá de cumprir as obrigações que assumiu”, continuou o porta-voz.

Como Estado costeiro, o Irã tem “tanto o direito quanto a responsabilidade de adotar as medidas necessárias para salvaguardar nossa segurança e nossos interesses nacionais”, afirmou ele.

As alegações americanas sobre a escolta de navios comerciais são, por si sós, uma prova da determinação de Washington em perpetuar a insegurança na região — acrescentou Baghaei.

O Irã tem insistido que desempenha um papel na gestão do tráfego pelo Estreito; os Estados Unidos exigem liberdade de navegação irrestrita e têm incentivado as embarcações a utilizar uma rota próxima à costa de Omã.

No fim de semana, um navio porta-contêineres indiano foi atingido por um drone ao largo da costa de Omã.

A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirma que uma embarcação que utilizava uma rota não autorizada no estreito foi “atingida” por um disparo de advertência e interceptada.

O incidente desencadeou novos ataques dos EUA nas noites de sábado (11) e domingo (12).

Novos ataques

A nova onda de violência lança mais dúvidas sobre o futuro de um acordo provisório entre os EUA e o Irã, assinado no mês passado, que visava reabrir o estreito e encerrar a guerra após mais 60 dias de negociações.

Os ataques foram os mais recentes de um ciclo de ofensivas e contra-ofensivas, à medida que o Irã busca afirmar seu controle sobre a navegação no Estreito de Ormuz. No entanto, a série de ataques marcou uma escalada em ritmo e alcance.

Na semana passada, Trump afirmou considerar encerrado o cessar-fogo, embora tenha deixado a porta aberta para novas negociações.

O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, publicou na rede social X no domingo: “A era dos acordos unilaterais ACABOU. Nós avisamos: cumpram a palavra ou paguem o preço. A realidade bate à porta.”

A guerra iniciada pelos EUA e por Israel contra o Irã em 28 de fevereiro desestabilizou a região do Golfo, onde o Irã atacou países que abrigam bases americanas. O bloqueio efetivo do estreito imposto pelo Irã elevou os preços da energia e alimentou a inflação global.

Preços mais altos, especialmente os da gasolina, representam uma questão politicamente sensível para Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Por: CNN Brasil