O Irã executou dois de seus cidadãos, nesta segunda-feira (3), sob acusações de espionagem e cooperação com Israel, informou a mídia estatal iraniana, em meio a um aumento nas execuções por crimes relacionados à segurança nacional.
Omid Behzad e Pouria Safvat foram acusados de enviar a Israel coordenadas de instalações militares e de segurança, bem como imagens e informações, durante à breve guerra no ano passado e em meio ao conflito mais recente, informou o Mizan, órgão de notícias do Judiciário.
As execuções ocorrem em um momento de tensão para o Irã, que reprimiu um período de agitação em todo o país em janeiro, matando milhares de manifestantes, apenas para ver os Estados Unidos e Israel lançarem novos ataques contra o país em 28 de fevereiro.
Uma fonte a par da estratégia militar de Israel disse à Reuters, em março, durante o atual conflito com o Irã, que o país teve como alvo postos de controle operados pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, com base em informações de inteligência obtidas de informantes em solo.
A Human Rights Watch, uma organização de direitos humanos sem fins lucrativos, informou em 24 de julho, que o Irã executou pelo menos 50 pessoas nos últimos quatro meses sob acusações vagas de segurança nacional, incluindo vários jovens de 18 e 19 anos.
A missão permanente do Irã em Genebra não respondeu a um pedido de comentário da Reuters.
Teerã já havia negado anteriormente as acusações de abusos contra prisioneiros.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que conversas com o Irã seriam realizadas nesta segunda-feira (3). No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que não havia conversas com os Estados Unidos no momento.
A guerra de 12 dias do ano passado começou em meados de junho, quando Israel lançou uma campanha aérea à qual os EUA aderiram posteriormente.
O conflito terminou com um cessar-fogo mediado pelos americanos.
O embate atual teve início no final de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel, após semanas de pressão sobre o Irã em razão de seus programa nucleares, mísseis balísticos e da forma como lidou com os protestos de janeiro.
Os lados em conflito suspenderam as hostilidades de maior escala com um acordo de trégua frágil em junho.
No entanto, Trump ameaçou repetidamente intensificar a guerra novamente, mas acabou concedendo mais tempo para negociações que, até o momento, não levaram a um acordo abrangente.
Em 1º de julho, negociadores dos EUA e do Irã viajam a Doha, no Catar, para negociações indiretas. As delegações fizeram “progressos positivos”, afirmou Majed al-Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar.
Por: CNN Brasil


