Israel marca três anos do 7 de outubro com cerimônias e protestos
País realiza memórias em mais de 400 locais para lembrar o dia mais mortífero de sua história, com famílias e grupos civis unidos na comoção
Israel marcou nesta terça-feira (07) os três anos do ataque liderado pelo Hamas que deixou mais de 1,2 mil mortos e 251 pessoas sequestradas para Gaza, com cerimônias, momentos de silêncio e manifestações em mais de 400 pontos do país.
Às 6h29, horário em que começou a ofensiva de 7 de outubro de 2023, foi realizado um minuto nacional de silêncio em memória das vítimas, enquanto familiares de mortos e grupos civis organizaram outros atos ao longo do dia.
As homenagens também chegaram ao local do festival Nova, na região da Floresta de Re'im, onde mais de 370 pessoas foram mortas e 44 foram sequestradas durante o ataque.
Além das cerimônias, manifestações reuniram familiares de vítimas, sobreviventes e grupos que cobram mudanças na condução do país, incluindo pedidos para que as autoridades criem uma comissão estatal de investigação sobre as falhas que antecederam o ataque.
Uma das críticas partiu de Shir Mathias, que perdeu os pais, Shachar e Shlomi Mathias, durante o ataque ao kibutz Holit, na fronteira com Gaza, e defendeu a saída dos responsáveis políticos e militares que estavam no comando naquele período.
Os memoriais oficiais do Estado foram realizados na segunda-feira (06), enquanto uma cerimônia nacional organizada pelo movimento Kumu está prevista para esta quarta-feira (08), em Tel Aviv, com expectativa de dezenas de milhares de participantes.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou, durante os atos oficiais, que as vítimas do ataque permanecem presentes na memória nacional e disse que Israel está atualmente mais forte do que no início da guerra.
Em meio às cerimônias, Netanyahu também defendeu a continuidade das operações militares contra o Hamas e afirmou que Israel matou 4 mil dos 6 mil integrantes do grupo que teriam participado da infiltração no país em 2023.
O conflito iniciado após o ataque já deixou mais de 74 mil palestinos mortos na Faixa de Gaza, segundo o Ministério da Saúde palestino, enquanto ataques israelenses continuam ocorrendo no território.
A cobrança por uma comissão estatal de inquérito ganhou espaço entre familiares e movimentos de sobreviventes, que consideram necessário investigar as decisões e falhas de segurança que antecederam o 7 de outubro, mas Netanyahu tem resistido à criação do mecanismo há três anos.
O aniversário do ataque ocorre menos de três semanas antes das eleições de 27 de outubro, e a responsabilização pelas falhas de segurança se tornou um dos principais temas da disputa contra Netanyahu.
Gadi Eisenkot, apontado como um dos principais adversários do primeiro-ministro, acusou Netanyahu de evitar uma investigação independente e afirmou que a população precisa conhecer as circunstâncias que permitiram a ofensiva do Hamas.
Por: CNN Brasil
