O Ministério das Relações Exteriores informou neste sábado (25) que o governo brasileiro rejeitou, na sexta-feira (24), os pedidos de visto apresentados por dois altos funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Riley M. Barnes e Samuel Samson planejavam viajar ao Brasil nas próximas semanas.

Segundo informações obtidas por veículos internacionais, os funcionários americanos pretendiam acompanhar questões relacionadas à liberdade de expressão no contexto das eleições presidenciais brasileiras. A avaliação do governo brasileiro, no entanto, foi de que a viagem poderia ser utilizada politicamente para questionar o sistema eleitoral do país.

Fontes da diplomacia brasileira ouvidas sob condição de anonimato pela Reuters, pelo Washington Post e pela Deutsche Welle afirmaram que o Itamaraty identificou o risco de a visita ser instrumentalizada para lançar dúvidas sobre a segurança e a confiabilidade das urnas eletrônicas.

A solicitação dos vistos foi apresentada à Embaixada do Brasil em Washington no dia 20 de julho, um dia antes de um encontro reservado do senador Flávio Bolsonaro com representantes de aproximadamente 40 países. Na reunião, o parlamentar voltou a fazer críticas ao sistema eleitoral brasileiro e defendeu a presença de observadores internacionais.

Durante o encontro, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil utilizaria nas eleições equipamentos produzidos pela Smartmatic, empresa venezuelana que já foi associada pela CIA a suspeitas de fraude eleitoral. A informação, porém, foi desmentida em diversas ocasiões pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2020.

A avaliação de integrantes do governo brasileiro é de que Barnes e Samson não apresentariam o perfil tradicional de observadores eleitorais internacionais, que costumam acompanhar processos eleitorais em diferentes países. Para assessores do Planalto, a presença dos dois poderia contribuir para a criação de um ambiente de desconfiança em relação à lisura das eleições.

Reportagem publicada pelo Washington Post, um dia após a decisão brasileira, informou que os funcionários teriam sido designados pelo Departamento de Estado para elaborar um relatório com questionamentos sobre o sistema de votação eletrônica brasileiro. A Reuters também confirmou a informação após ouvir integrantes do governo dos Estados Unidos. Samson, segundo o jornal americano, é conhecido por defender a agenda conservadora do presidente Donald Trump e por produzir relatórios ministeriais.

A decisão do Itamaraty ocorre em um momento de aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. O Departamento de Estado confirmou que a viagem de Barnes e Samson estava prevista na agenda dos funcionários, mas não informou oficialmente quais seriam os objetivos da visita. O episódio também acontece em meio a críticas às novas tarifas impostas por Washington sobre produtos brasileiros, consideradas por opositores como politicamente motivadas.

Por Capixaba Hoje.