
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou nesta quinta-feira (28/08/2025) da falta de abertura para diálogo com os Estados Unidos para discutir as tarifas de 50% impostas pelo país aos produtos brasileiros. Segundo Lula, até o momento o governo federal não conseguiu falar com “ninguém dos EUA”.
“Eu tenho o [vice-presidente Geraldo] Alckmin, o [ministro da Fazenda, Fernando] Haddad e o [chanceler] Mauro Vieira, que são meus negociadores. Até agora, a gente não conseguiu falar com ninguém, com ninguém dos Estados Unidos”, afirmou o presidente durante cerimônia de nomeação de diretores de agências regulatórias.
Lula lembrou que uma reunião entre Haddad e o secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que aconteceria em 13 de agosto, foi cancelada dois dias antes. Depois, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) postou nas redes sociais que foi recebido por Bessent no dia em que aconteceria a reunião com Haddad. Segundo Lula, isso demonstra a falta de seriedade dos Estados Unidos na relação com o Brasil.
“O Haddad estava com uma reunião com o secretário de Tesouro, suspendeu a reunião com o Haddad e foi se reunir com o deputado Eduardo Bolsonaro. Uma demonstração da falta de seriedade nessa relação com o Brasil”, comentou.
Lula também disse estar “tranquilo” do ponto de vista econômico, porque as taxas também vão prejudicar o produtor e o consumidor dos Estados Unidos.
“Essa conta vai aparecer em algum momento. Se fosse de fato resolver o problema da economia, aumentando a taxa de todas as exportações, nenhum país tinha problema.”
Mais cedo nesta quinta, em entrevista exclusiva à RECORD, o presidente enfatizou que quer falar com os EUA sobre o tarifaço. “O Lulinha ‘paz e amor’ estará pronto para conversar quando o presidente Donald Trump quiser”, disse o chefe do Executivo.
Na cerimônia, Lula ainda comemorou a aprovação do projeto de lei que protege crianças e adolescentes no ambiente digital. A proposta passou pelo Senado nessa quarta-feira (27/08/2025) e vai à sanção presidencial.
“Quem cuida do povo brasileiro é o povo brasileiro, não é uma big tech americana, chinesa, francesa, de qualquer outro país. É importante que eles saibam disso“, reforçou.
Além disso, Lula comentou sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus no STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
“Esse julgamento vai se dar com base nos autos, apurados, porque a quadrilha desmanchou. E todo mundo sabe o que aconteceu, quem é que delatou, quem é que acusou. Todo mundo sabe o que aconteceu de 8 de janeiro, todo mundo sabe da bomba no aeroporto, todo mundo sabe dos documentos incentivando a minha morte, a do Alckmin, a do Alexandre de Moraes”, finalizou.
Por: Capixaba Hoje




