Oposição de centro-esquerda lidera eleição e pode voltar ao poder na Suécia
Apuração parcial dá vantagem de três cadeiras ao bloco liderado pelo Partido Social-Democrata, que projeta conquistar 176 vagas no Parlamento
Os partidos de oposição de centro-esquerda da Suécia estão em posição de formar o próximo governo após a eleição parlamentar deste domingo (13), com resultados preliminares indicando uma vantagem de três cadeiras sobre o bloco governista de direita.
O bloco liderado por Magdalena Andersson, líder do Partido Social-Democrata, deve conquistar 176 das 349 cadeiras do Parlamento (o Riksdag), enquanto o bloco governista, liderado pelo primeiro-ministro Ulf Kristersson, está projetado com 173 cadeiras, segundo a autoridade eleitoral sueca.
“Se esse resultado se mantiver, a Suécia terá um novo governo”, disse Andersson a apoiadores na noite de domingo, após a divulgação dos resultados preliminares.
A diferença entre os dois blocos era de apenas 0,45% dos votos na manhã desta segunda-feira (14). Ainda restavam 353 distritos eleitorais a serem contabilizados, e os votos do exterior devem ser apurados apenas na quarta-feira (16).
Em 2022, pesquisas de boca de urna inicialmente apontaram uma vitória apertada da centro-esquerda, que acabou não se confirmando. Kristersson, por sua vez, não deu sinais de que pretende reconhecer a derrota ao falar após a eleição.
A vitória da oposição interromperia uma guinada à direita registrada na Suécia nos últimos quatro anos, período em que o país passou de uma das nações europeias mais abertas à imigração para uma das que adotam as políticas de asilo mais rígidas.
Os Democratas Suecos, partido de extrema direita que esperava integrar o governo pela primeira vez caso o bloco governista vencesse, devem perder cerca de 11 cadeiras, segundo as projeções.
Formação do novo governo
Mesmo se a vitória da centro-esquerda for confirmada, a formação de um novo governo pode levar algum tempo.
Andersson deverá voltar ao cargo de primeira-ministra, mas ainda não está claro quais outros partidos farão parte de seu governo. O Partido do Centro se recusa a dividir o poder com o Partido da Esquerda, que afirma precisar participar de qualquer coalizão.
“Pode muito bem ser um processo complicado formar um governo”, disse o presidente do Parlamento, Andreas Norlen, à televisão sueca.
O resultado da eleição dificilmente mudará a posição da Suécia de alinhamento com o Ocidente e de apoio à Ucrânia. Já os impactos sobre as políticas de imigração e economia ainda são incertos.
Andersson prometeu aos eleitores mais investimentos em programas sociais, um sistema tributário mais justo e foco na coesão social. Enquanto os partidos Verde e da Esquerda defendem que os mais ricos contribuam mais, o Partido do Centro se opõe à criação de um imposto sobre bilionários.
Os social-democratas também dificilmente deverão flexibilizar as regras de imigração, como defendem os partidos da Esquerda e Verde. Andersson afirmou que a Suécia precisa manter sua linha rígida sobre o tema.
Por: CNN Brasil

