Premiê da Albânia rejeita renúncia em meio a protestos violentos
Protestos liderados por estudantes entram no terceiro dia; manifestantes depredam prédios e entram em confronto com a polícia
Milhares de pessoas foram às ruas de Tirana, capital da Albânia, nesta quinta-feira (15), para exigir a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama. Liderados por estudantes, os manifestantes entraram em confronto com a polícia, que utilizou gás lacrimogêneo e jatos d'água para dispersar a multidão. Durante os protestos, participantes quebraram janelas e danificaram estruturas públicas.
As manifestações são motivadas por insatisfação com o custo de vida, a qualidade da educação, suspeitas de corrupção e um acordo para destinar áreas do litoral sul do país à construção de um resort de luxo apoiado por Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Os manifestantes afirmam que suas reivindicações não foram atendidas após meses de mobilizações, em grande parte pacíficas, contra o empreendimento. Os atos chegaram ao terceiro dia e representam um dos maiores desafios enfrentados por Rama desde que conquistou um quarto mandato no ano passado.
Em declaração à agência Reuters, o primeiro-ministro rejeitou os pedidos de renúncia e afirmou que pretende ouvir as reivindicações da população. Segundo ele, deixar o cargo significaria trair os eleitores que lhe deram um mandato para concluir as negociações de adesão da Albânia à União Europeia (UE).
Uma estudante identificada como Kiara apontou a corrupção, o alto custo de vida e a falta de perspectivas profissionais como algumas das principais preocupações dos jovens. Ela afirmou que conseguir emprego na própria área depende, muitas vezes, de contatos pessoais.
Rama disse estar disposto a discutir o aumento dos custos da educação, mas condenou os atos de violência e a depredação de prédios públicos. O Parlamento albanês cancelou a sessão prevista para esta quinta-feira em meio à retomada dos confrontos.
Corrupção e adesão à União Europeia
A Albânia busca ingressar na União Europeia até 2028 e está entre os países dos Bálcãs mais avançados nas negociações de adesão, ao lado de Montenegro. No entanto, denúncias de corrupção e a atuação de grupos criminosos envolvidos na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de armas prejudicam a imagem do país e dificultam o processo.
Rama afirmou à Reuters que o governo está combatendo a corrupção e declarou que não permitirá que a violência comprometa o objetivo de integrar o bloco europeu.
Em comunicado publicado na rede social X, a missão da União Europeia na Albânia defendeu o diálogo como caminho para superar a crise.
Os protestos no país ocorrem em meio a outras mobilizações estudantis na Europa. Na França, estudantes do ensino médio também organizaram manifestações e bloqueios de escolas para exigir mais professores, melhores instalações e medidas contra a deterioração dos prédios escolares e a superlotação das salas de aula.
Por: CNN Brasil
