China e Rússia criticaram nesta quarta-feira (20) o projeto antimíssil “Golden Dome”, defendido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao afirmarem em declaração conjunta divulgada em Pequim que o sistema representa risco à estabilidade estratégica e rompe o equilíbrio entre armas ofensivas e defensivas.

O posicionamento foi anunciado após reunião entre os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping no Grande Salão do Povo, na capital chinesa, durante cerimônia oficial com honras militares organizada pelo governo da China.

Segundo o documento divulgado pelos dois países, o chamado Domo de Ouro prevê a ampliação de sistemas de defesa antimíssil em diferentes camadas, incluindo sensores, interceptadores terrestres, sistemas de comando e estruturas espaciais voltadas para detectar, rastrear e eventualmente destruir ameaças ainda em órbita.

Na declaração, Moscou e Pequim afirmam que o projeto norte-americano busca criar um sistema global capaz de interceptar mísseis em diferentes fases do voo, incluindo armamentos de países classificados pelos Estados Unidos como “adversários equivalentes”.

Os governos russo e chinês também criticaram a ausência de um novo acordo após o fim do tratado nuclear Novo START, firmado em 2010 entre Washington e Moscou, classificando a situação como resultado de uma “política irresponsável” dos Estados Unidos.

A Rússia declarou apoio à posição da China de não participar de eventuais negociações sobre controle de armas nucleares envolvendo Moscou e Washington, tema debatido por setores do governo e da política externa norte-americana.

O documento conjunto também menciona preocupação com planos de instalação de mísseis terrestres de alcance intermediário e curto por potências nucleares não identificadas, medida que, segundo os dois países, representa ameaça estratégica para outras nações.

China e Rússia afirmaram ainda que estratégias baseadas em ataques preventivos para neutralizar arsenais inimigos aumentam os riscos de instabilidade militar e nuclear.

Horas após a divulgação da declaração, a Rússia publicou imagens de exercícios militares envolvendo sistemas móveis Iskander-M, com transporte e carregamento do que Moscou descreveu como ogivas nucleares em treinamentos realizados na Rússia e em Belarus.

Informações: CNN Brasil