Suzano desenvolve nova celulose marrom para embalagens sustentáveis
Redação Capixaba Hoje | Lucas Queiroz Uma nova fibra de celulose marrom de eucalipto começou a ser produzida em escala industrial e passa a integrar o portfólio da Suzano, após anos de testes laboratoriais e...

Redação Capixaba Hoje | Lucas Queiroz
Uma nova fibra de celulose marrom de eucalipto começou a ser produzida em escala industrial e passa a integrar o portfólio da Suzano, após anos de testes laboratoriais e campanhas produtivas. O material, batizado de Eucanatural, foi desenvolvido no Centro de Tecnologia de Aracruz (ES) e é voltado principalmente ao setor de embalagens e papéis flexíveis.
Sem passar pelo processo de branqueamento, a fibra mantém a coloração natural e reduz o uso de insumos químicos. A proposta atende a uma demanda crescente por materiais com menor impacto ambiental, ao mesmo tempo em que preserva características de resistência exigidas pela indústria.

O desenvolvimento do produto começou em 2020 e avançou, entre 2021 e 2022, com simulações em laboratório que reproduziram etapas do processo industrial. Em 2023, a tecnologia foi levada à produção em larga escala, com a fabricação de milhares de toneladas. Uma nova campanha consolidou a entrada do material no mercado.
Segundo o pesquisador sênior Lucas Ornelas Jacinto, o produto se insere em um segmento ainda restrito globalmente. Ele afirma que “pouquíssimas empresas no mundo produzem celulose marrom de mercado”, destacando que a ausência do branqueamento contribui para menor consumo químico e desempenho técnico competitivo.
A transição do laboratório para a produção industrial envolveu a articulação entre as áreas de pesquisa e operação. De acordo com o diretor de operações industriais da empresa, Fabrício José da Silva, a viabilização em larga escala exigiu integração entre equipes para garantir padrão de qualidade e estabilidade do processo.

O material é indicado para aplicações como caixas de papelão, embalagens em geral, sacolas e papéis utilizados em produtos como rótulos, sacos de café e papéis para air fryer. A coloração marrom, segundo a empresa, também responde a uma demanda estética associada à percepção de sustentabilidade em embalagens.
A celulose marrom ainda tem presença limitada no mercado global, o que amplia o interesse de setores que buscam alternativas a fibras tradicionais, sobretudo em cadeias ligadas a produtos de consumo e alimentos.

