Tropas britânicas treinam para invasão argentina às Malvinas, diz jornal
Treinamento incluiu caminhada noturna de 32 quilômetros e ataque anfíbio em meio ao agravamento das tensões entre Londres e Buenos Aires
Mais de 100 militares britânicos participaram de um treinamento nas Ilhas Malvinas para simular operações de defesa do arquipélago diante de uma eventual tentativa de retomada pela Argentina, segundo informações publicadas pelo jornal britânico The Times.
O exercício durou seis dias no início de outubro e reuniu soldados britânicos e reservistas locais em atividades inspiradas na guerra de 1982, incluindo uma marcha noturna de 32 quilômetros e uma operação de desembarque anfíbio.
O comandante da companhia, major Nunkoosing, afirmou ao The Times que a atividade permitiu aos militares conhecer parte das dificuldades enfrentadas pelas tropas britânicas durante a retomada das ilhas, há mais de quatro décadas.
A movimentação militar ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Londres e Buenos Aires, após o presidente argentino, Javier Milei, anunciar sanções contra empresas envolvidas na exploração de petróleo nas proximidades do arquipélago.
Milei também levou a disputa à Organização das Nações Unidas (ONU), onde classificou a exploração de combustíveis fósseis na região como ilegal e ilegítima e contestou a presença britânica no território, cuja soberania é reivindicada pela Argentina.
Disputa pela soberania
Localizadas no Atlântico Sul, a cerca de 500 quilômetros da costa argentina, as Ilhas Malvinas são administradas pelo Reino Unido desde 1833, mas permanecem no centro de uma disputa territorial entre os dois países.
O governo argentino sustenta que herdou o território da Espanha após a independência, em 1816, e considera que a ocupação britânica iniciada em 1833 foi ilegal, enquanto Londres defende sua soberania e o direito dos habitantes de decidirem o próprio futuro.
O arquipélago tem aproximadamente 3.660 habitantes e conta com uma assembleia legislativa eleita para administrar assuntos internos, sendo a maioria da população de origem britânica.
Guerra de 1982 deixou mais de 900 mortos
A disputa levou os dois países a uma guerra em abril de 1982, quando a ditadura argentina, liderada pelo general Leopoldo Galtieri, ordenou a invasão das ilhas na expectativa de que o governo britânico não respondesse militarmente.
A então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, enviou uma força-tarefa naval para recuperar o território, e as tropas britânicas retomaram o controle após 74 dias de confrontos, encerrados com a rendição argentina em junho daquele ano.
O conflito deixou 907 mortos, sendo 649 argentinos, 255 militares britânicos e três moradores das ilhas, além de contribuir para acelerar a queda da ditadura militar argentina.
A vitória britânica fortaleceu politicamente Thatcher, que enfrentava dificuldades internas antes da guerra, enquanto a derrota aprofundou o ressentimento na Argentina e manteve a reivindicação de soberania sobre o arquipélago como uma questão central nas relações entre os dois países.
Por: CNN Brasil
