O Espírito Santo, já consolidado como o maior produtor de café conilon do Brasil e um dos principais players do mercado global, decidiu elevar o sarrafo. O governo estadual, por meio da Secretaria de Agricultura (Seag) e do Incaper, lançou oficialmente o Plano de Expansão e Sustentabilidade do Conilon, um roteiro ambicioso que pretende transformar o parque cafeeiro capixaba nos próximos seis anos.
A meta é clara: sair da média atual e alcançar a produção de quase 19 milhões de sacas anuais até 2032. Para isso, o plano não foca apenas na abertura de novas áreas, mas no aumento vertical da produtividade com base em três pilares: tecnologia, sucessão familiar e sustentabilidade.
Tecnologia como Motor da Produtividade
O grande diferencial desta nova fase é o investimento em genética e irrigação de precisão. O Incaper tem trabalhado no desenvolvimento de novos clones que são mais resistentes à seca e às pragas que costumam atingir as lavouras do Norte e Noroeste do estado.
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Renovação de Cafezais: O plano incentiva a substituição de plantas antigas por variedades de alto rendimento.
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Mecanização: Em regiões de relevo favorável, a meta é ampliar o uso de colhedoras, reduzindo o custo de produção e otimizando o tempo de colheita.
O Desafio da Sustentabilidade e do Mercado Global
Com a União Europeia e outros mercados internacionais apertando o cerco contra produtos vindos de áreas de desmatamento ou com uso excessivo de defensivos, o Espírito Santo quer se antecipar. O plano prevê a certificação em larga escala de propriedades sustentáveis.
“Não queremos apenas produzir mais, queremos produzir melhor. O mercado mundial hoje paga um prêmio por cafés que respeitam o meio ambiente e possuem rastreabilidade. O Espírito Santo será o maior laboratório de cafeicultura regenerativa do mundo”, destacou o Secretário de Agricultura.
Sucessão Familiar e Permanência no Campo
Um dos pontos críticos abordados pelo projeto é a permanência do jovem no campo. Para evitar o êxodo rural, o plano inclui linhas de crédito específicas para jovens agricultores e programas de capacitação em gestão de negócios. O objetivo é transformar a fazenda de café em uma empresa rural moderna e lucrativa, atraindo a nova geração para o comando das lavouras.
Impacto Econômico
Atualmente, o café conilon é o principal produto da pauta de exportação do agronegócio capixaba, gerando renda para mais de 50 mil famílias e movimentando a economia de dezenas de municípios, especialmente em polos como São Mateus, Jaguaré e Linhares. Com a expansão prevista, estima-se que o setor possa injetar bilhões de reais extras na economia do estado até o final da década, consolidando a liderança global do Espírito Santo diante de concorrentes como o Vietnã.
