Levantamento da Senatran aponta que excesso de velocidade continua sendo o principal gargalo da segurança viária no país; total de autuações ultrapassa 15,9 milhões.

DA REDAÇÃO – O comportamento do motorista brasileiro ao volante segue desafiando as autoridades de trânsito. Dados consolidados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) revelam um cenário alarmante: apenas nos dois primeiros meses de 2026, o Brasil registrou mais de 15,9 milhões de infrações de trânsito.

O número, quando diluído no tempo, revela a magnitude do problema: são cerca de 269 mil autuações por dia, o que equivale à impressionante média de 187 registros por minuto em todo o território nacional.

O perigo da pressa: Excesso de velocidade lidera o ranking

O desrespeito aos limites de velocidade permanece como a infração mais comum nas vias urbanas e rodovias. No primeiro bimestre deste ano, foram contabilizadas mais de 7,6 milhões de multas por esse motivo, representando quase metade do volume total de infrações no país.

É importante ressaltar que a gravidade da penalidade está diretamente ligada ao risco gerado:

  • Média: Velocidade superior à máxima em até 20%.

  • Grave: Velocidade superior à máxima entre 20% e 50%.

  • Gravíssima: Velocidade superior à máxima acima de 50%. Neste caso, além da multa multiplicada por três, o condutor enfrenta a suspensão imediata do direito de dirigir.

Reincidência em erros básicos

Além da velocidade, o balanço da Senatran destaca a persistência de condutas que aumentam drasticamente o risco de sinistros fatais. O avanço do sinal vermelho, classificado como infração gravíssima, figura entre as ocorrências mais frequentes, junto ao descaso com itens de segurança passiva, como o não uso do cinto de segurança.

Outro fator crítico apontado por especialistas é o uso do celular ao volante. Embora as campanhas de conscientização sejam intensas, a distração causada por dispositivos móveis tem sido um vetor crescente para colisões traseiras e atropelamentos, consolidando-se como uma das infrações mais difíceis de fiscalizar sem o auxílio de tecnologia de monitoramento avançada.

O peso no bolso e na vida

Especialistas em mobilidade urbana alertam que o volume de multas não deve ser visto apenas sob a ótica arrecadatória, mas como um termômetro da hostilidade no trânsito. “O número de 187 infrações por minuto é um indicativo de que a percepção de risco do condutor brasileiro ainda é baixa”, afirmam técnicos do setor.

Com a integração cada vez maior dos sistemas de fiscalização eletrônica e o uso de inteligência artificial no monitoramento de rodovias, a tendência é que o cerco contra a impunidade se feche, reforçando a necessidade de uma mudança cultural imediata para garantir a preservação da vida.