O chanceler do Uruguai, Mario Lubetkin, descartou na segunda-feira (3) que seu país atue como mediador da crise entre a Argentina e o Brasil provocada pelas declarações de Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva e pediu a diminuição da tensão entre os presidentes.

“Estamos monitorando tudo bem de perto, obviamente não vamos poder intermediar nada, porque isso é um diálogo entre brasileiros e argentinos”, expressou o chanceler uruguaio, em declarações à imprensa, após um evento com candidatos latino-americanos à secretaria-geral da ONU.

Apesar de descartar uma mediação, Lubetkin ressaltou a necessidade de priorizar “uma lógica de Estado”, diante do bom momento do Mercosul, que acaba de firmar acordos com a União Europeia, com o Efta (Associação Europeia de Livre Comércio) e negocia acordo com países asiáticos.

“Todo elemento de reduzir o diálogo, que tem que ser entre os presidentes, acho que não ajuda, tensiona e não facilita num momento tão importante do Mercosul”, expressou ele, complementando: “este é o momento de pensar mais em construir do que confrontar e gerar choques internos”.

O Uruguai está na presidência temporária do Mercosul até dezembro. Os países, atualmente, tentam chegar a um acordo acerca da divisão das cotas de exportação isentas de tarifas para a União Europeia, e na última cúpula, em Assunção, anunciaram oficialmente o início das negociações com o Japão para um acordo de associação econômica e cooperação.

O chanceler uruguaio afirmou ser necessário diminuir as tensões porque o bloco vive um “momento extraordinário”. Mas as diferenças cada vez são mais evidentes.

Milei não esteve presente na última cúpula do Mercosul e o presidente paraguaio, Santiago Peña, fez um discurso contra o que considera injustiças nos critérios defendidos pelos demais membros para a divisão das cotas de exportações para a UE.

Paralelamente, o Brasil e a Argentina vivem uma crise diplomática após Milei fazer acusações contra Lula e insultar o presidente brasileiro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, em São Paulo.

Na ocasião, Milei chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca”. Como resposta, o Itamaraty convocou o embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas e o representante argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos.

Por: CNN Brasil