
Redação Capixaba Hoje | Lucas Queiroz
A preocupação crescente dos brasileiros com a violência pautou a abertura do evento “Brasil sob Ameaça”, realizada nesta segunda-feira (27), em Vitória, onde autoridades e especialistas discutem até terça-feira (28) propostas para enfrentar o avanço do crime organizado no país.
Durante a mesa inicial, o presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), Marcelo Santos (União), afirmou que a segurança pública superou a economia entre os principais temores da população, ao citar pesquisa Quaest divulgada em novembro de 2025, segundo a qual 38% dos entrevistados apontaram a violência como maior preocupação, enquanto 15% mencionaram questões financeiras.
Marcelo Santos declarou que a população “A população brasileira já não aguenta mais. O brasileiro, hoje, tem mais preocupação com a segurança pública do que com o financeiro”, frisou Marcelo Santos. O chefe do legislativo estadual defendeu prioridade nacional ao tema, ao lado de outras autoridades presentes na abertura, entre elas o governador Ricardo Ferraço (MDB) e a presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Janete Vargas Simões.
Na sequência da programação, o parlamentar participou de debate após a palestra “Rio de Janeiro – Exportador do Crime”, conduzida pelo ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Rodrigo Pimentel, que apontou a disseminação de métodos operacionais de facções criminosas para diferentes estados.
Segundo Pimentel, organizações como Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Terceiro Comando ampliaram influência nacional por meio de intercâmbio tático e padronização de condutas, o que, na avaliação dele, exige nova leitura sobre os indicadores de violência.
O palestrante criticou o uso exclusivo da taxa de homicídios como parâmetro de segurança pública e citou casos em que índices de latrocínio e outros crimes graves alterariam a percepção real de insegurança enfrentada pela população.
Ao fim do debate, Marcelo Santos defendeu revisão da legislação penal como instrumento de combate ao crime organizado, posição também sustentada pelo organizador do encontro, o juiz e professor universitário Carlos Eduardo Ribeiro Lemos.
Já o governador Ricardo Ferraço afirmou ser necessário “seguir o dinheiro” das facções para enfraquecer financeiramente os grupos criminosos, além de alertar para tentativas de infiltração dessas organizações em instituições públicas e no sistema econômico.
Realizado no Espaço Patrick Ribeiro, o evento segue com palestras e painéis sobre sistema prisional, terrorismo, impactos econômicos da violência e estratégias de repressão ao crime organizado.