A mobilidade urbana no litoral mateuense voltou a ser o centro das atenções no Legislativo Municipal. Durante a sessão ordinária realizada nesta terça-feira (14), a indicação da Vereadora Professora Valdirene, que solicita ao Executivo a aquisição de uma balsa para realizar a travessia fluvial entre Barra Nova Norte e Barra Nova Sul, reacendeu um debate antigo e carregado de tensões políticas.
A ausência de uma ligação eficiente entre as duas margens é uma ferida aberta para os moradores do Distrito Nativo. Há anos, a comunidade local reivindica o equipamento, essencial não apenas para o deslocamento cotidiano de trabalhadores e estudantes, mas também para o escoamento da produção pesqueira e o fomento do turismo, que sofre com o isolamento geográfico de um dos pontos mais belos da nossa orla.
O embate político
Nos bastidores e na tribuna, o tom subiu. A oposição aproveitou a oportunidade para criticar o que chamam de “lentidão administrativa” da gestão do prefeito Marcus da Cozivip. O argumento central dos críticos é que o governo tem falhado em priorizar investimentos em regiões periféricas e turísticas, concentrando esforços em áreas centrais enquanto o litoral padece com a falta de infraestrutura básica de transporte.
Por outro lado, a base governista tenta segurar o desgaste, pontuando a necessidade de estudos de viabilidade técnica e orçamentária para a manutenção de uma balsa municipal. O temor do Executivo é que a indicação se torne um “cavalo de batalha” eleitoral em 2026, expondo uma promessa ainda não cumprida em uma região de forte apelo popular.
- Proposta: A indicação visa facilitar a travessia no distrito do Nativo de Barra Nova, ligando os dois lados do balneário.
- Objetivo: Melhorar a mobilidade para moradores, pescadores e turistas, além de facilitar o escoamento da produção agrícola na região, conectando dois pontos que hoje dependem majoritariamente de pequenos barcos de pescadores locais.
- Autoria: A proposta é de autoria da Professora Valdirene Bernadino, vereadora eleita com base na região quilombola de São Mateus.
- Situação: A medida faz parte das indicações da vereadora para o exercício de 2026, com foco no desenvolvimento e infraestrutura do litoral mateense.

A travessia entre as comunidades de Barra Nova Norte e Sul não é um problema novo, mas sim uma novela que se arrasta por diferentes gestões, marcada por anúncios e frustrações:
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O “Vau” e a Precariedade: Historicamente, a travessia depende da maré baixa (o chamado “vau”) ou de pequenas embarcações particulares. O isolamento geográfico prejudica o acesso a serviços básicos de saúde e educação no Distrito Nativo.
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Anúncios Anteriores: Em gestões passadas, o tema chegou a ser incluído em planos de desenvolvimento turístico regional, mas os projetos nunca saíram do papel sob a justificativa de “alto custo de manutenção” e entraves ambientais para a operação de motores no estuário.
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A Promessa da Atual Gestão: No início do mandato de Marcus da Cozivip, a expectativa da comunidade era de que a infraestrutura turística — incluindo a mobilidade no litoral — recebesse investimentos pesados. No entanto, a falta de uma balsa própria ou de um convênio público para o transporte fluvial é hoje uma das principais munições da oposição.
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Impacto no Turismo: Operadores turísticos da região afirmam que São Mateus perde competitividade para cidades vizinhas pela dificuldade de logística em um dos seus principais cartões-postais.
Próximos passos
Com a indicação aprovada, a bola volta para o campo da Prefeitura. Para os moradores, a expectativa agora é saber se a balsa finalmente deixará de ser apenas uma pauta de debates na Câmara para se tornar uma realidade flutuante nas águas de Barra Nova. Enquanto a solução não chega, o “vau” e os barcos particulares seguem sendo a única — e precária — alternativa de travessia.
