
O cenário político para as eleições de 2026 no Espírito Santo começa a ganhar contornos mais claros, e também mais estratégicos.
Entre os nomes colocados, o senador Magno Malta surge como pré-candidato ao Governo do Estado. No entanto, ao analisar o contexto, sua movimentação parece menos sobre risco e mais sobre oportunidade. No quarto ano de mandato no Senado, Malta pouco tem a perder e muito a ganhar: visibilidade, fortalecimento partidário e a construção de palanque para o projeto nacional do PL. No jogo político, é uma candidatura que atende mais a interesses estratégicos do que necessariamente a uma construção estadual consistente.
“Há uma leitura crescente de que o movimento de Magno Malta atende mais às estratégias internas do Partido Liberal, especialmente no âmbito financeiro, do que a uma candidatura enraizada nas demandas do Estado.”
Por outro lado, o atual vice-governador Ricardo Ferraço se apresenta em uma condição completamente diferente. Ao assumir o governo, sua candidatura deixa de ser apenas uma opção e passa a ser, na prática, uma continuidade administrativa. Caso não dispute, o risco seria interromper um modelo de gestão que, segundo prefeitos capixabas, alcança mais de 96% dos municípios com investimentos, independentemente de ideologia política.
Essa é, aliás, uma das marcas do governo de Renato Casagrande: o diálogo institucional com os 78 municípios, sem distinção partidária. Um perfil municipalista que garantiu equilíbrio fiscal e capacidade de investimento ao Estado, hoje reconhecido nacionalmente.
Ferraço, ao longo desse período como vice, acompanhou de perto essa dinâmica. Com experiência e maturidade política, tende a representar uma linha de continuidade. A confiança entre governador e vice é tão consolidada que ultrapassa questões partidárias. Para Casagrande, mais do que alianças formais, está em jogo a manutenção de um modelo que deu certo.
Nesse cenário, abre-se também uma possibilidade estratégica: com Ferraço no governo, Casagrande pode buscar novos caminhos no cenário nacional, especialmente no Senado Federal, mantendo sua atuação municipalista agora em outra esfera.
Mas nem todos os movimentos seguem essa lógica de estabilidade. O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, que durante anos se posicionou como aliado do governo estadual, hoje levanta dúvidas sobre sua confiabilidade política. Ainda que mantenha força local, especialmente em um município amplamente reconstruído com apoio do Estado, sua mudança de postura acende um alerta clássico da política:
“Na política, a fidelidade é o alicerce que sustenta relações, acordos e resultados.”
E é justamente essa fidelidade que tem marcado a relação do governo estadual com os municípios. Casagrande só não esteve presente onde portas foram fechadas e, ainda assim, investimentos chegaram, mesmo diante de resistências ideológicas de alguns gestores.
O caso mais emblemático talvez seja o da capital, Vitória.
A condução do Estado sempre foi pautada por princípios que vão além da política tradicional. Para Casagrande, a fé, especialmente em Jesus Cristo, é elemento central de sua vida e também de sua forma de governar.
E isso se traduz em uma visão clara de liderança:
“Vitória de verdade não é sobre impor, é sobre construir. Não é sobre dividir, é sobre unir.”
Mas, no campo político, a realidade da capital apresenta seus próprios desafios.
O prefeito Lorenzo Pazolini ainda não se posiciona de forma definitiva como candidato ao governo. Em suas declarações, mantém cautela, afirmando estar em fase de avaliação. E há razões claras para isso.
Caso renuncie ao mandato, deixaria a prefeitura sob comando da vice, Cris Samorini, atualmente filiada ao PP, partido que apoia Ricardo Ferraço. Um movimento que, por si só, já evidencia um cenário político delicado.
Além disso, Pazolini não conta, até o momento, com uma base sólida de apoio entre prefeitos. Nem mesmo a sustentação da capital estaria garantida em caso de sua saída. Soma-se a isso o fato de partidos relevantes, como PP e União Brasil, já sinalizarem alinhamento com o projeto de continuidade no Estado.
Outro ponto relevante é o isolamento político. Desde o início de sua gestão, Pazolini optou por uma postura independente, sem aproximação efetiva com o governo estadual. Uma escolha que, na prática, limitou o potencial de investimentos conjuntos na capital.
Diante desse cenário, a avaliação é direta: não há, hoje, um ambiente político seguro que justifique a renúncia para uma disputa estadual.
O Espírito Santo vive um momento de equilíbrio, crescimento e estabilidade, uma realidade que contrasta com o cenário de muitos estados brasileiros. Entrar em uma disputa sem base consolidada, sem alianças robustas e sem garantia de continuidade política pode transformar uma candidatura em uma aposta de alto risco.
No fim, a política separa dois perfis:
os que assumem responsabilidades e constroem resultados…
e os que apenas ensaiam movimentos.
Da redação.