Especialistas de todo o Brasil discutem futuro do café Conilon em Linhares
Evento reúne produtores, pesquisadores e profissionais do setor para discutir mudas, manejo, mercado e os desafios da cafeicultura
A qualidade das mudas, os avanços tecnológicos no cultivo e os desafios do mercado internacional estão no centro dos debates do 8º Seminário Novas Tecnologias para Produção de Mudas e Cultivo de Café Conilon, iniciado nesta quarta-feira (02), em Linhares, e que segue nesta quinta-feira (03) com palestras e visitas técnicas.
Realizado no Auditório do Serviço Social da Indústria (SESI), no bairro Aviso, o encontro reúne produtores rurais, viveiristas, pesquisadores, técnicos e representantes de cooperativas de diferentes regiões do país para discutir temas relacionados à produção e ao desenvolvimento da cafeicultura de Conilon.
Ao abrir o seminário, o presidente da Associação Brasileira de Insumos para Agricultura Sustentável (INPAS), Carlos José Biondo, destacou a escolha das mudas como uma das etapas que influencia o desenvolvimento da lavoura e afirmou que “a muda é o alicerce de uma lavoura”, relacionando o investimento na qualidade inicial da produção aos resultados obtidos posteriormente.
O coordenador de Pesquisas do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) em Linhares, Lucas Fagundes, chamou atenção para desafios que surgem cada vez mais cedo nas lavouras, como problemas nutricionais e relacionados à irrigação, e avaliou que o encontro permite ampliar o debate técnico entre pesquisadores e profissionais do setor.
Os números da cafeicultura ajudam a dimensionar a importância do tema no Espírito Santo, responsável por aproximadamente 70% da produção brasileira de café Conilon, segundo o Incaper, com uma atividade que representa 38% do Produto Interno Bruto (PIB) agrícola capixaba.
O estado possui atualmente cerca de 286 mil hectares cultivados com Conilon, distribuídos por aproximadamente 49 mil propriedades rurais localizadas em 68 municípios, enquanto Linhares ocupa posição de destaque como principal produtor da variedade no Espírito Santo.
O secretário municipal de Agricultura, Rafael Buffon, afirmou que as mudanças ocorridas na cafeicultura nas últimas décadas envolvem novos espaçamentos, defensivos, máquinas e outras tecnologias, e destacou a importância de aproximar os produtores das transformações que afetam o setor.
A programação também abriu espaço para uma análise do mercado internacional, com palestra do engenheiro Carlos Brando, coordenador no Brasil de programas internacionais voltados à sustentabilidade nas cadeias do café e do cacau e integrante de uma plataforma global que reúne mais de 160 membros.
Ao abordar os impactos do cenário geopolítico sobre o café Conilon, Brando destacou a necessidade de acompanhar concorrentes internacionais como Vietnã, Indonésia, Uganda e Índia, além das mudanças provocadas por novas exigências regulatórias no mercado europeu.
Entre os pontos discutidos está a regulamentação ambiental da União Europeia, diante da qual, segundo a análise apresentada durante o evento, o Brasil possui condições favoráveis para comprovar a origem da produção e atender exigências relacionadas ao não desmatamento.
A programação do seminário será encerrada nesta quinta-feira (03), com novas atividades técnicas voltadas à produção de mudas e ao cultivo do café Conilon.
*Com informações da Ascom/PML

