ExpoAgro 2026 em números: Festa da Cidade amplia negócios e movimenta a economia de São Mateus
Cinco dias de programação ampliaram a circulação de pessoas, serviços e negócios e levaram a ExpoAgro a uma nova dimensão econômica.
Foto: Rubens Floriano
A Festa da Cidade de São Mateus, realizada de 17 a 21 de setembro como parte das comemorações pelos 482 anos do município, encerrou a edição de 2026 com uma dimensão que ultrapassa os shows e o entretenimento. Durante cinco dias, o Parque de Exposições concentrou programação musical, rodeio, gastronomia, agricultura, exposição de animais, máquinas e veículos agrícolas, parque de diversões, artesanato, economia criativa e negócios, criando uma cadeia de movimentação que alcançou diferentes setores da economia local e regional.
Um dos principais indicadores dessa expansão está no próprio formato do evento. A ExpoAgro 2026 passou de quatro para cinco dias de programação em relação à edição de 2025, ampliando o período de circulação de consumidores, expositores, prestadores de serviços e trabalhadores. Antes da festa, a organização projetava superar os mais de 200 mil visitantes registrados em 2025 e informou que a edição anterior havia sido associada a uma movimentação econômica estimada entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões. Em outra declaração reproduzida pela imprensa, o prefeito Marcus Batista estimou em aproximadamente R$ 50 milhões os negócios movimentados pela edição de 2025. Como são estimativas de naturezas diferentes, e não um balanço contábil auditado, esses números devem ser tratados como referências de ordem de grandeza, e não como resultado financeiro definitivo.
Em 2026, o próprio desenho da feira ampliou a possibilidade de geração de negócios. A Prefeitura e a ADETUR abriram seleção para empreendedores da agricultura familiar, agronegócio, artesanato, gastronomia, agroindústria, economia criativa, MEIs e empresas de diferentes portes. A iniciativa demonstra que a ExpoAgro foi estruturada também como ambiente de comercialização e exposição de produtos, e não apenas como espaço de entretenimento. A área de máquinas e veículos agrícolas, por sua vez, aproximou produtores rurais de empresas fornecedoras de equipamentos e soluções para o campo, transformando a feira em uma vitrine comercial para investimentos de maior valor agregado.
A movimentação econômica começa antes mesmo da abertura dos portões. A montagem da estrutura envolve contratação de profissionais, empresas de engenharia, instalações elétricas, limpeza, segurança, montagem de estandes, transporte, locação de equipamentos, comunicação visual, alimentação e logística. O próprio prefeito Marcus Batista havia destacado, durante os preparativos, que a montagem já envolvia a implantação da rede elétrica, limpeza do parque, tramitação do projeto de segurança junto ao Corpo de Bombeiros e organização do parque de diversões.
Essa cadeia prévia é relevante porque distribui a renda do evento por um período maior do que os cinco dias oficiais da programação. Empresas e trabalhadores são mobilizados durante a preparação, enquanto hotéis, restaurantes, supermercados, postos de combustíveis, transportadores, bares, padarias e o comércio em geral começam a sentir o aumento da demanda com a chegada de visitantes e equipes de trabalho. Depois da abertura, o efeito se amplia com a circulação do público. A Prefeitura registrou fluxo de visitantes de outros municípios e destacou reflexos em hotelaria, restaurantes, padarias, comércio, transporte e outros serviços.
Dentro do Parque de Exposições, a lógica econômica também foi diversificada. No terceiro dia, a Prefeitura registrou forte movimento simultâneo na praça de alimentação, rodeio, Fazendinha, Tenda Cultural, pavilhões, área de máquinas e demais espaços. A alimentação, em especial, apresentou fluxo constante de consumidores, enquanto os espaços comerciais funcionaram como pontos de contato entre empreendedores e milhares de potenciais clientes. No domingo, a apresentação de Ana Castela levou o público a ocupar a área do palco desde a tarde, com reflexos também no trânsito e nas demais áreas da estrutura.
Outro componente importante é a oportunidade criada para trabalhadores autônomos e vendedores ambulantes. A concentração de público em um único espaço cria demanda para alimentação, bebidas, produtos diversos, artesanato, entretenimento e serviços, permitindo que pequenos empreendedores participem da cadeia econômica de uma festa de grande porte. A política municipal de organização de atividades comerciais em eventos públicos prevê, em outras programações, o uso oneroso e regulamentado de áreas públicas para vendedores ambulantes, demonstrando que esse tipo de atividade também pode integrar a gestão econômica e ordenada dos grandes eventos municipais.
A dimensão financeira da ExpoAgro também aparece na própria estrutura administrativa do evento. Na transparência da ADETUR, o Termo de Colaboração nº 004/2026, referente à organização e execução da Feira de Agronegócios, Agricultura Familiar, Artesanato e Economia Criativa integrada à ExpoAgro, registra valor total de R$ 2.095.140,00. Esse valor corresponde especificamente ao instrumento de colaboração para a feira e não deve ser confundido com o custo total da Festa da Cidade, nem com o volume de negócios gerado pelo evento.
Do ponto de vista tributário, a movimentação de serviços também pode produzir receita para o Município por meio do ISSQN, além de taxas municipais relacionadas a atividades sujeitas a licenciamento, fiscalização e uso de espaços públicos, conforme a natureza de cada operação. O Código Tributário Municipal estabelece o ISSQN e prevê alíquotas para os serviços enquadrados na legislação; o próprio portal da Prefeitura orienta contribuintes a consultar o código para verificar a tributação aplicável a cada atividade. Entretanto, até o momento, não foi localizado um balanço oficial informando quanto a ExpoAgro 2026 efetivamente arrecadou em ISSQN, taxas ou outras receitas municipais vinculadas ao evento.
Essa distinção é importante: movimentação econômica não significa arrecadação municipal na mesma proporção. O dinheiro gasto pelo público circula principalmente entre empresas, trabalhadores e fornecedores, enquanto apenas determinadas operações geram tributos municipais, estaduais ou federais. No caso do Município, a arrecadação própria integra o orçamento público e, respeitadas as regras orçamentárias, pode financiar políticas públicas, manutenção de serviços e investimentos em infraestrutura. Por isso, a análise econômica da ExpoAgro deve considerar tanto o impacto privado sobre comércio e serviços quanto a eventual receita pública decorrente das atividades realizadas durante a festa.
A organização da edição de 2026 também buscou ampliar a capacidade de atendimento ao público. O planejamento divulgado antes da festa previa mais de 200 agentes de segurança diariamente, além de Polícia Militar, Guarda Municipal, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, cavalaria e equipes com cães, enquanto o evento adotou recursos como reconhecimento facial e controle de acesso. A estrutura de segurança, trânsito, limpeza, energia e atendimento é parte importante do custo operacional de uma festa desse porte, mas também representa contratação de serviços especializados e geração temporária de trabalho.
Para Marcus Batista, a dimensão econômica está associada à própria concepção da Festa da Cidade. Na edição anterior, ao explicar a cadeia de negócios provocada pela ExpoAgro, o prefeito destacou que a movimentação alcançava alimentação, cuidados com animais, limpeza, ornamentação, estrutura, música, organização e atividades ligadas à agricultura. A declaração ajuda a dimensionar por que o impacto de uma exposição desse porte não pode ser medido somente pela bilheteria, que, no caso da programação principal, foi gratuita, mas pela cadeia de fornecedores e consumidores mobilizada em torno do evento.
Em 2026, essa cadeia ganhou mais um dia de programação e uma grade que reuniu Julliany Souza, Naiara Azevedo, Thiago Aquino, Ana Castela e Bruno & Marrone, além de artistas regionais, rodeio e atividades agropecuárias. O encerramento, no dia 21, coincidiu com o aniversário de 482 anos de São Mateus e reuniu novamente famílias, visitantes, empreendedores e expositores no Parque de Exposições. A Prefeitura destacou que o movimento ultrapassou os limites do recinto e alcançou diferentes regiões da cidade.
Assim, a ExpoAgro 2026 se caracteriza como um evento de múltiplos efeitos econômicos: gera demanda durante a montagem, amplia o consumo durante a programação, cria oportunidades para pequenos empreendedores, aproxima empresas e produtores rurais, movimenta a cadeia de máquinas e equipamentos e aumenta a procura por hospedagem, alimentação, transporte e comércio. O balanço financeiro definitivo da edição, incluindo público total, volume efetivamente negociado e eventual arrecadação tributária municipal, deve ser divulgado oficialmente nos próximos dias, possibilitando estabelecer uma comparação estatística fechada com 2025. O que já está documentado, porém, é a ampliação do calendário para cinco dias e a presença de uma estrutura comercial e agropecuária mais diversificada, na festa que é um dos principais períodos de circulação econômica do calendário anual de São Mateus.
Por Rubens Floriano.

