Governo Trump não pretende apoiar Flávio como líder do Brasil, diz Reuters
Postura do governo Trump sugere que o presidente pode estar relutante em provocar uma nova crise nas relações com o Brasil
O governo de Donald Trump não pretende reconhecer Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como líder legítimo do Brasil, apesar de ter autorizado a entrada do senador nos Estados Unidos após sua saída do país. A informação foi divulgada pela agência Reuters nesta quinta-feira (29), com base em relatos de autoridades norte-americanas que falaram sob condição de anonimato.
Segundo as fontes, Trump não tem planos atuais de apoiar as pretensões políticas de Flávio, embora possa mudar de posição. A decisão de permitir a entrada do senador, portanto, não representa um respaldo à sua tentativa de se apresentar como principal liderança da oposição brasileira.
O presidente norte-americano chegou a questionar a eleição brasileira, afirmando que o pleito pareceu “manipulado”. No entanto, também declarou que não ofereceu apoio a nenhum candidato e disse manter uma boa relação com Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito por uma diferença de aproximadamente 3,5 pontos percentuais.
A postura da Casa Branca indica cautela para evitar uma nova crise diplomática com o Brasil, cujas relações com Washington passaram por momentos de tensão nos últimos meses.
Viagem aos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil acompanhado da esposa e das duas filhas. Segundo autoridades argentinas, a família atravessou uma ponte em direção ao norte da Argentina na noite de terça-feira (27), de onde embarcou em um avião fretado com destino a Miami, nos Estados Unidos, passando pelo Equador.
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega do passaporte do senador, atendendo a um pedido da Polícia Federal. Flávio é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
De acordo com uma das fontes ouvidas pela Reuters, Jason Miller, assessor próximo de Trump e da família Bolsonaro, ajudou a organizar o voo a partir da Argentina. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, recomendou que a entrada do senador e de seus familiares fosse autorizada, decisão aprovada por Trump.
A família recebeu autorização de entrada por meio de uma modalidade chamada parole humanitária, concedida em situações que envolvem questões humanitárias urgentes ou interesse público significativo.
Declaração de Flávio e reação política
Na quarta-feira (28), Flávio publicou uma carta aberta na rede social X na qual se declarou “o presidente eleito”. Posteriormente, retirou essa afirmação e divulgou uma nova versão, na qual se apresentou como o “líder” legítimo do Brasil.
Uma terceira autoridade norte-americana ouvida pela Reuters avaliou que o senador perdeu capital político ao deixar o país. Segundo a fonte, conservadores brasileiros que esperavam que ele conduzisse a oposição nos próximos anos criticaram sua saída.
No Brasil, integrantes do governo Lula também avaliam que a viagem enfraquece a oposição conservadora no Congresso. O ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador, está preso após ser condenado por tentativa de golpe para permanecer no poder depois da derrota eleitoral de 2022.
Trump, por sua vez, evitou fazer críticas diretas a Lula. Em declaração a jornalistas na segunda-feira (26), afirmou: “Gosto do Lula, me dou muito bem com ele. Só acho que a eleição deixou uma péssima impressão.”
Por: CNN Brasil
