
REDAÇÃO | CAPIXABA HOJE
Levantamento do Banco Central aponta alta nas concessões de crédito livre para pessoas físicas; inadimplência também registra crescimento no período.
Os brasileiros enfrentaram um cenário de crédito mais caro no segundo mês de 2026. De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas pelo Banco Central nesta segunda-feira (30), a taxa média das concessões de crédito livre para pessoas físicas subiu um ponto percentual em fevereiro, consolidando a marca de 62% ao ano. No acumulado dos últimos 12 meses, a elevação já soma 5,4 pontos percentuais.
O grande vilão do orçamento doméstico continua sendo o cartão de crédito rotativo. A modalidade registrou uma alta expressiva de 11,4 pontos percentuais apenas em fevereiro, atingindo o patamar de 435,9% ao ano — o nível mais alto desde o início da série histórica recente.
O paradoxo da limitação de juros
Apesar de estar em vigor desde janeiro de 2024 uma norma que limita o valor total da dívida no rotativo — impedindo que o montante ultrapasse o dobro do valor original da fatura —, as taxas anuais continuam variando sem uma queda real.
Especialistas explicam que a trava legal atua sobre o estoque da dívida acumulada, mas não reduz a taxa de juros pactuada no ato da contratação. Dessa forma, o “taxômetro” dos bancos permanece elevado, afetando diretamente quem não consegue quitar o valor integral da fatura e entra no crédito rotativo, que tem duração máxima de 30 dias antes de ser obrigatoriamente parcelado pelas instituições financeiras.
Outros indicadores de crédito
O relatório do Banco Central também trouxe alertas sobre outros setores:
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Cheque Especial: A segunda linha de crédito mais cara do mercado acompanhou a tendência de alta, atingindo 147% ao ano.
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Inadimplência: O índice de atrasos superior a 90 dias nas operações de crédito livre subiu para 5,5% em fevereiro, refletindo a dificuldade das famílias em honrar compromissos sob taxas elevadas.
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Consignado: Para quem busca alternativas, o crédito consignado permanece como a opção mais viável, com taxas médias variando entre 23,8% (servidores públicos) e 59,4% (setor privado).
O aumento dos juros ocorre em um momento de contração nas concessões, que caíram 8% para pessoas físicas no mês, indicando uma postura mais cautelosa tanto dos bancos quanto dos consumidores diante do custo do dinheiro.
Este vídeo detalha os dados divulgados pelo Banco Central e explica como as taxas de juros impactam o crédito livre no Brasil em 2026.