Por Catarina Scortecci / Artur Búrigo / Folhapress Foto: Divulgação
O presidente Lula (PT) fez um gesto positivo a jornalistas nesta sexta-feira (19) quando questionado se o senador Jaques Wagner (PT-BA) permaneceria na liderança do governo petista no Senado. A pergunta foi feita enquanto Lula cumprimentava parte da plateia que o aguardava no Hospital Luxemburgo, em Belo Horizonte (MG).
O presidente não parou para dar declarações à imprensa. Durante discurso, ele não mencionou o episódio envolvendo o aliado. Wagner foi alvo nesta quinta-feira (18) da nova fase da Operação Compliance Zero.
A Polícia Federal apura suspeitas de que o senador recebeu pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, por meio da empresa da nora dele, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. O senador nega ilegalidades.
Na capital mineira, Lula participa do anúncio de investimentos de R$ 89,3 milhões para o Hospital Luxemburgo, que se tornou uma unidade 100% SUS. O hospital, do Instituto Mário Penna, é referência em oncologia em Minas Gerais.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também participa da agenda. Durante discurso, ele citou números de programas comandados pela pasta e, em tom eleitoral, alfinetou o governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL), e também o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo), pré-candidato ao Planalto.
“A gente já teve um presidente que se negava a investir em estado onde o governador não o apoiasse”, afirmou Padilha em referência a Bolsonaro, acrescentando que a postura de Zema “não impediu que o governo federal investisse no estado”.
Esta é a 16ª vez que Lula visita o estado no atual mandato. O petista acelerou o número de agendas em Minas em meio à dificuldade do partido para estabelecer um palanque no estado para as eleições em 2026.
Os mineiros respondem pelo segundo maior colégio eleitoral do país. Desde a redemocratização, o candidato à Presidência que vence no estado chega ao Palácio do Planalto.
Após ver suas tentativas frustradas de convencer o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB), que decidiu deixar a vida pública ao fim deste mandato, os petistas procuram um plano B para uma candidatura ao Governo de Minas.
As conversas com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) não avançaram, e agora surgem como possíveis nomes o ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) e o ex-procurador geral de Justiça Jarbas Soares (PSB).
O ex-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Josué Gomes da Silva (PSB) e a ex-reitora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Sandra Goulart (PT) também costumam ser citados.
Após o evento nesta manhã na capital mineira, Lula vai à tarde para Divinópolis, para a inauguração de um hospital regional. A cidade é reduto político do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que aparece na liderança das últimas pesquisas de intenção de voto ao governo estadual.
Apoiador da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, Cleitinho diz ainda não ter definido se lançará seu nome para a disputa deste ano. O senador mineiro não deve comparecer à agenda presencial.



