Justiça Eleitoral já suspendeu seis pesquisas para as eleições no Espírito Santo
Cinco levantamentos são do Instituto Veritá e um, do Instituto Perfil; decisões apontam questionamentos distintos sobre registro, coleta e custeio
A Justiça Eleitoral já suspendeu a divulgação de seis pesquisas eleitorais registradas no Espírito Santo em 2026, sendo cinco do Instituto Veritá e uma do Instituto Perfil.
A decisão mais recente foi tomada nesta quinta-feira (1º) pelo Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) e atingiu a pesquisa ES-04561/2026, do Veritá, que poderia ser divulgada a partir desta sexta-feira (2).
A liminar determinou que o instituto suspenda a divulgação do levantamento por qualquer meio e apresente, no prazo de dois dias, documentos relacionados ao custeio declarado como próprio, incluindo comprovantes de pagamentos, registros contábeis, extratos bancários e contratos ou orçamentos ligados à pesquisa.
A representação questionou a capacidade financeira declarada pelo Veritá para custear o levantamento e apontou a existência de diversas pesquisas registradas como autofinanciadas pelo instituto, além de diferenças entre os valores atribuídos aos levantamentos.
O Veritá contestou os argumentos e afirmou que o valor informado para a pesquisa corresponde ao preço de mercado de um levantamento estadual, mas a questão ainda será analisada no julgamento do mérito.
Outras pesquisas suspensas
Em setembro, o TRE-ES já havia determinado a suspensão das pesquisas ES-01361/2026 e ES-00353/2026, ambas do Veritá, após questionamentos sobre as informações territoriais apresentadas para a realização das entrevistas.
Segundo as decisões, havia municípios e bairros inexistentes ou atribuídos a municípios diferentes daqueles indicados no registro, o que, na avaliação preliminar do tribunal, dificultava a fiscalização da área física e do plano amostral.
Também foi suspensa em setembro a pesquisa ES-05433/2026, do Veritá, em processo que posteriormente voltou a discutir o custeio e as informações apresentadas pelo instituto.
No caso da pesquisa ES-04513/2026, do Instituto Perfil, o TRE-ES determinou a suspensão da divulgação e exigiu informações adicionais sobre a distribuição territorial da amostra, incluindo dados de municípios, bairros e setores censitários das entrevistas.
Pesquisa suspensa em abril
A sexta pesquisa é a ES-09049/2026, também do Veritá, cuja divulgação foi suspensa em abril após questionamentos sobre a forma de realização das entrevistas, divergências entre o questionário registrado e o aplicado e a inclusão de nomes em cenários eleitorais.
Em junho, o TRE-ES julgou procedente a representação e manteve a proibição de divulgação do levantamento. A decisão apontou irregularidades relacionadas ao procedimento de coleta, ao questionário e à composição dos cenários pesquisados.
As seis suspensões não têm o mesmo fundamento e não permitem afirmar, de forma geral, que a Justiça Eleitoral tenha reconhecido manipulação em todos os levantamentos.
Nos casos mais recentes, as decisões são medidas provisórias ou estão relacionadas a questionamentos específicos sobre o registro, a identificação territorial da coleta e o custeio declarado, enquanto os processos ainda podem ter novas decisões após a apresentação de documentos e a análise do mérito.
Da redação
