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Morre Dick Parry, saxofonista do Pink Floyd, aos 77 anos

O universo do rock perdeu nesta sexta-feira uma de suas presenças mais discretas — e ao mesmo tempo mais reconhecíveis. Dick Parry, saxofonista que ajudou a definir a atmosfera melancólica e sofisticada do Pink Floyd,...
23/05/2026 às 15h07
Morre Dick Parry, saxofonista do Pink Floyd, aos 77 anos

O universo do rock perdeu nesta sexta-feira uma de suas presenças mais discretas — e ao mesmo tempo mais reconhecíveis. Dick Parry, saxofonista que ajudou a definir a atmosfera melancólica e sofisticada do Pink Floyd, morreu aos 77 anos.

O anúncio foi feito por David Gilmour nas redes sociais e rapidamente provocou uma onda de homenagens entre músicos, fãs e figuras históricas da indústria musical.

Embora seu nome talvez nunca tenha alcançado o mesmo estrelato dos integrantes oficiais da banda britânica, o som criado por Dick Parry se tornou parte inseparável da identidade do Pink Floyd. Seus solos em músicas como Money e Us and Them atravessaram décadas como elementos fundamentais de uma das discografias mais influentes da história do rock.

Na prática, Parry ajudou a criar o lado mais humano, elegante e emocional do universo sonoro construído pela banda nos anos 1970.

O músico que virou parte da alma do Pink Floyd

Ao anunciar a morte do amigo, David Gilmour preferiu falar menos sobre fama e mais sobre sensibilidade artística.

“Sua sensibilidade e timbre tornam seu saxofone inconfundível”, escreveu o guitarrista, destacando justamente aquilo que transformou Dick Parry em peça tão importante dentro da sonoridade do grupo.

A relação entre os dois começou muito antes do estrelato mundial. Segundo Gilmour, eles se conheceram ainda aos 17 anos, tocando juntos em bandas locais durante a adolescência. Décadas depois, aquela amizade juvenil acabaria atravessando algumas das páginas mais importantes da história do rock progressivo.

Existe algo curioso na trajetória de Dick Parry: mesmo sem ocupar os holofotes centrais da banda, ele ajudou a construir momentos que se tornaram praticamente eternos dentro da cultura pop.

O solo de sax em Us and Them, por exemplo, continua sendo um dos trechos mais reconhecíveis de The Dark Side of the Moon, álbum que redefiniu o conceito de disco conceitual na música contemporânea.

Uma presença discreta, mas histórica

Diferente da imagem extravagante associada ao rock dos anos 1970, Dick Parry sempre manteve perfil discreto. Talvez justamente por isso sua importância muitas vezes tenha passado despercebida para parte do grande público.

Mas dentro da indústria musical, músicos e produtores sempre reconheceram sua contribuição para a identidade sonora do Pink Floyd. O saxofone de Parry adicionava calor emocional em meio às atmosferas espaciais, filosóficas e experimentais da banda.

Era quase como se seu instrumento servisse de ligação entre o virtuosismo técnico do grupo e a fragilidade humana presente nas composições.

Esse impacto ficou ainda mais evidente em apresentações ao vivo, especialmente durante períodos em que o Pink Floyd se transformou em uma experiência audiovisual gigantesca.

O afastamento inesperado da música

Um dos episódios mais curiosos revelados por David Gilmour envolve justamente o período em que Dick Parry abandonou temporariamente a música.

Durante anos, o saxofonista ficou afastado dos palcos, vendeu instrumentos e passou a trabalhar até como ferrador. Parecia uma ruptura definitiva com a indústria musical.

Mas tudo mudou em 1994, durante as gravações de The Division Bell. O reencontro aconteceu após Parry enviar um cartão de Natal para Gilmour.

A partir dali, nasceu uma audição improvisada que acabaria marcando seu retorno ao universo do Pink Floyd.

“Ele tocou três frases e decidimos que não havia necessidade de continuar tentando. Ele tinha aquele timbre inconfundível”, relembrou Gilmour.

A declaração revela algo raro na música: artistas cuja identidade sonora é tão forte que bastam poucos segundos para serem reconhecidos instantaneamente.

Do Live 8 às turnês históricas

Dick Parry continuou próximo de David Gilmour nas décadas seguintes. Ele participou da turnê de On an Island, em 2006, ao lado do também saudoso tecladista Richard Wright, além de integrar a histórica reunião do Pink Floyd no Live 8.

Aquele show carregava enorme peso emocional. Foi uma das raríssimas ocasiões em que a formação clássica da banda voltou a dividir o palco após anos de conflitos internos e distanciamento.

Parry estava lá justamente porque seu saxofone já fazia parte daquela memória coletiva construída por milhões de fãs ao redor do mundo.

O som que atravessou gerações

Após a confirmação da morte, artistas como Graham Nash e o empresário Merck Mercuriadis prestaram homenagens públicas nas redes sociais, destacando a importância de Dick Parry para a história do rock.

E talvez esse seja o aspecto mais bonito de sua trajetória: mesmo longe do protagonismo tradicional das grandes estrelas do rock, ele deixou uma assinatura sonora impossível de apagar.

O saxofone de Dick Parry continua ecoando como lembrança de uma era em que álbuns eram construídos com atmosfera, emoção e personalidade.

Porque algumas notas não envelhecem. Apenas se transformam em memória permanente.

Informações: Portal Terra

 

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