Polícia retira 334 manifestantes de acampamento contra despejos em Madri
Operação ocorreu durante a madrugada, após cinco semanas de protestos contra o aumento dos aluguéis, a falta de moradias e os despejos na capital
A praça Puerta del Sol, no centro de Madri, voltou a ser desocupada nesta terça-feira (03/11) após cinco semanas de protestos contra o aumento dos aluguéis, a falta de moradias e os despejos na Espanha, com uma operação policial que retirou os últimos 334 ocupantes e encerrou o acampamento que se tornou símbolo da crise habitacional no país.
A ação começou por volta das 3h no horário local, com a participação de aproximadamente 400 policiais, além de bombeiros e equipes de assistência social, depois que a maior parte dos manifestantes deixou o espaço voluntariamente.
Os protestos tiveram início após o despejo de uma mulher de 87 anos, que morreu posteriormente e se tornou um dos símbolos da mobilização por melhores condições de moradia, que também se espalhou por outras cidades espanholas e chegou a Portugal.
Durante as cinco semanas de ocupação, a Puerta del Sol ganhou características de uma pequena comunidade, com ruas identificadas, pontos de informação, atividades culturais e distribuição de alimentos.
Duas pessoas foram presas por desobediência e resistência à autoridade, segundo informações do gabinete do representante do governo central em Madri.
A retirada também foi marcada por versões divergentes sobre a atuação policial, já que representantes dos manifestantes denunciaram agressões e uso de spray de pimenta contra os ocupantes, enquanto o governo espanhol afirmou que a operação ocorreu sem violência ou distúrbios.
Após a desocupação, equipes municipais iniciaram a limpeza da praça, retirando lonas, removendo pichações de monumentos e lavando o espaço público.
Em 30 de outubro, representantes do movimento haviam anunciado a dissolução dos comitês organizadores, após o governo aprovar medidas habitacionais que atenderam à reivindicação inicial dos protestos.
Com o encerramento do acampamento, os manifestantes pretendem concentrar a mobilização em uma greve geral marcada para 11 de novembro, com reivindicações relacionadas ao direito à moradia e às condições de vida.
Segundo o governo, parte das pessoas que permaneciam no local era formada por moradores em situação de rua e integrantes de outros grupos socialmente vulneráveis.
Por: CNN Brasil
