Protestos contra alto custo de vida tomam conta da França e da Alemanha
Manifestantes foram às ruas de cidades alemãs no Halloween; na França, atos reuniram 320 mil pessoas e terminaram com centenas de detenções
A insatisfação com o custo de vida e a falta de investimentos em educação levou milhares de jovens às ruas da Alemanha neste sábado (31). As manifestações ocorreram em várias cidades, em meio a uma onda de protestos que começou na França e se espalhou por outros países europeus.
Batizado de “Geração Z consegue!”, o movimento alemão também questiona problemas ambientais e a possibilidade de reintrodução do serviço militar obrigatório. Os atos foram organizados para coincidir com o Halloween, com mobilizações previstas em Berlim, Frankfurt, Colônia e Munique.
Na capital alemã, a manifestação transcorreu aparentemente sem grandes incidentes. Já em Colônia, a polícia utilizou canhões de água depois que participantes soltaram fogos de artifício durante uma marcha. Em Hamburgo, agentes antimotim intervieram após barricadas serem incendiadas e equipes de emergência sofrerem ataques.
Os organizadores afirmaram que a mobilização pretende dar voz aos jovens nas decisões políticas. “Somos jovens que não queremos mais assistir a decisões sobre o nosso futuro sendo tomadas sem a nossa participação”, diz uma declaração publicada pelo movimento.
França registra 320 mil manifestantes
Na França, os protestos reuniram 320 mil pessoas neste sábado, segundo o Ministério do Interior. Cerca de 70 mil participaram dos atos em Paris. O número ficou abaixo dos registros das duas manifestações anteriores: 550 mil pessoas em 17 de outubro e 410 mil na semana passada.
Até as 18h, no horário local, 296 pessoas haviam sido detidas. Embora a maioria das manifestações tenha ocorrido de forma pacífica, autoridades relataram episódios de violência, tentativas de saque e confrontos com policiais em diferentes cidades.
O governo francês mobilizou 70 mil agentes de segurança adicionais para acompanhar os atos. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, alertou para o risco de distúrbios e anunciou restrições à realização de manifestações nos centros urbanos.
A onda de mobilizações começou no fim de setembro, com estudantes reivindicando melhores condições nas escolas, contratação de professores e mudanças no sistema de admissão universitária. Posteriormente, o movimento incorporou grupos dos Coletes Amarelos, que protestam contra o aumento dos preços dos combustíveis e o custo de vida.
Desde o início dos atos, pelo menos 1.193 policiais ficaram feridos até 29 de outubro, conforme dados divulgados pelo Ministério do Interior francês.
Uma nova mobilização nacional está prevista para 5 de novembro, convocada por uma coalizão de sindicatos contra o aumento do custo de vida.
Por: CNN Brasil
