Mercado reavalia riscos fiscais após queda de 18% do Ibovespa
Bolsa brasileira passa por reprecificação de ativos após reeleição de Lula; mercado aguarda novos sinais para comando da Fazenda e política fiscal
A Bolsa brasileira registrou uma das semanas mais negativas de sua história recente após o segundo turno das eleições presidenciais. Entre 23 e 30 de outubro, o Ibovespa acumulou queda superior a 18%, enquanto as empresas listadas na B3 perderam aproximadamente R$ 963 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da Elos Ayta.
O movimento refletiu a reação dos investidores às incertezas sobre a condução das políticas econômica e fiscal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente. A desvalorização das ações veio acompanhada pela alta do dólar e pela disparada dos juros futuros.
O pior resultado ocorreu na segunda-feira (26), primeiro pregão após a eleição, quando o principal índice da Bolsa recuou quase 14%. A intensidade da queda acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações para conter movimentos extremos do mercado.
Nos pregões seguintes, o Ibovespa permaneceu pressionado, oscilando entre 167 mil e 169 mil pontos. Com isso, devolveu os ganhos acumulados em outubro. Apesar da forte correção, o índice ainda registrava valorização de aproximadamente 4% no ano.
Quase R$ 1 trilhão evaporou da Bolsa
O levantamento da Elos Ayta aponta que as companhias listadas na B3 perderam cerca de R$ 963 bilhões em valor de mercado entre 23 e 30 de outubro, uma retração de 16,94%.
O montante praticamente anulou os R$ 972 bilhões acrescentados ao valor de mercado das empresas entre o fim de 2025 e 23 de outubro.
As perdas foram mais concentradas nos setores de varejo, mercado imobiliário e bancos, além das empresas de menor capitalização, conhecidas como small caps. Esses segmentos são mais sensíveis às condições de crédito, às taxas de juros e ao ritmo da atividade econômica.
Segundo Bruna Sene, analista de Renda Variável da Rico, empresas exportadoras e ligadas a commodities, como Petrobras e Vale, conseguiram amortecer parte das perdas. Essas companhias foram beneficiadas pela valorização do dólar e pela alta do petróleo.
Mercado aguarda definições da equipe econômica
O desempenho dos ativos brasileiros também foi influenciado pelo cenário internacional, marcado por preocupações com os resultados de grandes empresas de tecnologia, a alta do petróleo e as tensões geopolíticas.
Para Gustavo Cruz, CIO da Sincra, a queda ocorreu em um contexto no qual investidores brasileiros e estrangeiros estavam bastante posicionados em ativos nacionais.
A expectativa para os próximos pregões envolve principalmente a definição do novo ministro da Fazenda e da equipe econômica, além da decisão do Banco Central sobre a taxa básica de juros e dos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Bruna Centeno, sócia e assessora da Blue3 Investimentos, avalia que a decisão do Banco Central será especialmente relevante diante da falta de definições sobre a política fiscal do próximo governo.
"Se o Comitê optar pela manutenção dos juros, isso tende a acalmar os ânimos, pois demonstrará que o Banco Central segue atento ao balanço de riscos", afirmou.
Na avaliação da economista, um eventual corte na taxa de juros poderia ser interpretado como uma surpresa negativa pelos investidores e aumentar a pressão sobre a Bolsa, diante das preocupações com as contas públicas e a inflação.
Por: CNN Brasil
