Quem foi Harald V, rei da Noruega por mais de três décadas
O rei manteve-se no trono até ao último dia da sua vida, à semelhança da rainha Elizabeth II, do Reino Unido
Harald V da Noruega, o monarca mais velho da Europa, morreu aos 89 anos nesta sexta-feira (28). Nascido em 21 de fevereiro de 1937, Harald era rei desde 1991, tendo subido ao trono após a morte do seu pai, o rei Olav.
Ao longo de vários anos e apesar dos sucessivos problemas de saúde, Harald fez saber que não tinha qualquer intenção de abdicar do trono para o filho, o príncipe herdeiro Haakon, de 53 anos, que agora se prepara para assumir a coroa como Haakon VIII.
Em 2024, pouco depois da abdicação da prima, a rainha da Dinamarca, o monarca garantiu que não pretendia abdicar, afirmando: "Mantenho o que sempre disse, que fiz um juramento ao Storting [parlamento] e que é para toda a vida." A sua regência terminou aos 89 anos.
Quem era o rei Harald?
Nascido a 21 de fevereiro de 1937 na casa dos pais, uma propriedade rural em Skaugum, perto de Oslo, Harald era filho do rei Olav e da rainha Märtha e irmão das princesas Ragnhild e Astrid, ambas mais velhas do que ele.
Aquando da morte do pai, a 17 de janeiro de 1991, Harald - o primeiro príncipe a nascer na Noruega em 567 anos - subiu ao trono, uma vez que, na altura, a constituição norueguesa de 1814 estipulava que só os herdeiros do sexo masculino podiam herdar a coroa. A Constituição viria a ser alterada em 1990, e atualmente é o filho mais velho que, independentemente do sexo, sobe ao trono.
Em março de 1968, era anunciado que o rei Olav tinha dado autorização ao príncipe herdeiro - condição que assumiu com a morte do rei Haakon em 1957 - para casar com Sonja Haraldsen, de Vinderen, em Oslo.
Harald e Sonja conheciam-se há nove anos e, uma vez que Sonja era plebeia, o casamento teve de ser autorizado pelos líderes parlamentares e pelo governo. Perante o aval, o casal contraiu matrimónio na Catedral de Oslo, a 29 de agosto de 1968, e três anos depois davam as boas-vindas à primeira filha, a princesa Märtha Louise, nascida a 22 de setembro de 1971. Já o príncipe herdeiro Haakon nasceria a 20 de julho de 1973.
Quando o rei Olav ficou doente na primavera de 1990, o então príncipe Harald assumiu as suas funções, antes de subir ao trono, ao lado da rainha Sonja. Lado a lado, foram consagrados na Catedral de Nidaros, em Trondheim, a 23 de junho, cumprindo uma tradição milenar.
"Como o pai e o avô antes dele, o rei Harald adotou o lema 'Damos tudo pela Noruega'", lê-se no site oficial.
E foi, talvez, por se reger por esse mote que recentemente, quando viu a prima, a rainha Margarida da Dinamarca, abdicar para o filho, que fincou pé e deixou o aviso que não tinha planos para abdicar.
"Não, de facto não tenho [planos para abdicar]. Mantenho o que sempre disse. Fiz um juramento ao Storting, que é para toda a vida", afirmou em janeiro de 2024, referindo-se à promessa que fez ao parlamento norueguês quando subiu ao trono em 1991.
Assim, o rei manteve-se no trono até ao último dia da sua vida, à semelhança da rainha Elizabeth II, do Reino Unido que morreu aos 96 anos em Balmoral.
Os problemas de saúde
Os recorrentes problemas de saúde de Harald V deixaram a Noruega em alerta e levaram o herdeiro ao trono, o príncipe herdeiro Haakon, de 50 anos, a assumir as funções do pai por diversas vezes enquanto príncipe regente.
Antes de ser internado em agosto deste ano, Harald V esteve de baixa durante várias semanas em fevereiro e março devido a uma infeção numa perna que exigiu o seu internamento num hospital em Tenerife, na Espanha, onde se encontrava de férias com a mulher, a rainha Sonja, e o seu médico acabaria por viajar para Tenerife para acompanhar o tratamento.
Em 2024, Harald V encontrava-se de férias na Malásia quando foi internado por causa de uma infeção. O monarca acabou por ser transferido num avião militar da Malásia para a Noruega e foi submetido a uma nova cirurgia depois de ter recebido um pacemaker temporário no hospital malaio. O dispositivo seria trocado por um definitivo, numa operação realizada já na Noruega.
Mas já em agosto de 2023, Harald V tinha sido hospitalizado com febre e em outubro de 2020 foi operado para substituir uma válvula cardíaca depois de ter estado internado por dificuldades respiratórias. Mais recentemente usava muletas por dificuldades de locomoção - foi operado no Rikshospitalet, em Oslo, para reparar um tendão lesionado acima do joelho direito em janeiro de 2021.
Este ano, durante a receção a Narendra Modi no Palácio Real da Noruega e da Seleção Norueguesa de Futebol, o rei apareceu sentado num banco mais alto, o que adensou as preocupações com a sua mobilidade.
A Harald V foi ainda removido um tumor na bexiga em 2005.
As polémicas familiares
A família real norueguesa tem enfrentado uma sucessão de polémicas nos últimos anos, com destaque para a princesa Märtha Louise, filha do rei Harald V, e a relação com o americano Durek Verrett, que se apresenta como xamã.
Märtha Louise já era uma figura controversa pelas afirmações sobre comunicação com anjos e pela atividade em terapias alternativas. Em 2019 iniciou uma relação com Verrett e os dois passaram a promover eventos pagos, explorando a associação à família real. Em 2022, a princesa deixou de desempenhar funções oficiais para separar as atividades comerciais da Casa Real.
O casamento, em agosto de 2024, voltou a gerar críticas. A cerimónia foi realizada em Geiranger e os direitos exclusivos foram vendidos à revista britânica Hello!, enquanto a imprensa norueguesa teve fortes limitações na cobertura.
A relação também esteve envolvida em acusações de racismo, feitas por Verrett e Märtha Louise perante críticas de pessoas próximas da princesa.
Mais recentemente, a monarquia foi atingida pelo caso Marius Borg Høiby, filho de Mette-Marit, que foi detido em 2024 e posteriormente alvo de acusações mais graves, incluindo alegações de violação. Marius viria a ser condenado a quatro anos de prisão por dois casos de violação e por mais 32 crimes. O tribunal absolveu-o de outras duas acusações de violação, tendo ainda sido condenado por violência doméstica reiterada contra uma ex-namorada, infrações rodoviárias e ameaças.
Høiby recorreu da condenação e espera-se que o julgamento de recurso tenha lugar no próximo ano, embora ainda não tenha sido definida uma data.
A própria princesa Mette-Marit - que foi submetida a um transplante pulmonar após agravamento de doença respiratória - enfrentou ainda polémica depois de admitir uma amizade com Jeffrey Epstein, embora tenha negado conhecer os crimes por ele cometidos.
Por: CNN Brasil

