Espírito Santo: o resultado de boas escolhas
Economia do ES supera desempenho nacional, mas crescimento sustentável exige equilíbrio fiscal, transparência e ambiente de negócios favorável
O Produto Interno Bruto do Espírito Santo cresceu 4,8% no primeiro semestre de 2026, ante 1,9% da economia brasileira. No segundo trimestre, alcançou R$ 72,1 bilhões, o maior valor nominal trimestral da série histórica.
O resultado merece ser celebrado, mas deve ser encarado menos como um ponto de chegada e mais como uma oportunidade para reafirmarmos alguns fundamentos que permitem a uma economia crescer de forma consistente.
Nenhum Estado se torna mais competitivo apenas por sua localização geográfica, por sua infraestrutura portuária ou pelas características de seu território.
Esses são ativos importantes, mas não suficientes. Investidores também procuram previsibilidade, segurança jurídica e um ambiente de negócios que estimule quem empreende, produz e gera empregos.
Em outras palavras, a geografia oferece oportunidades, mas são as boas escolhas que as transformam em desenvolvimento.
Sob essa perspectiva, o controle das contas públicas não é um detalhe técnico. É uma condição essencial para o crescimento sustentável.
Quando as finanças estão organizadas, o poder público amplia sua capacidade de planejar, investir e executar políticas que produzam resultados concretos para a sociedade, alimentando um ciclo virtuoso de confiança e desenvolvimento.
Sobre essa base, o desafio é reduzir os entraves burocráticos, simplificar processos e criar condições para que a riqueza produzida se converta em mais empregos, renda e oportunidades.
Também é fundamental preservar e ampliar os níveis de transparência e governança registrados pelos municípios capixabas.
De acordo com o relatório divulgado pela Transparência Capixaba, em parceria com o Espírito Santo em Ação, 55 dos 78 municípios alcançaram desempenho considerado ótimo. Doze chegaram à nota máxima, entre eles Vitória, Vila Velha e Serra.
Como já defendemos em outras ocasiões, uma gestão pública verdadeiramente moderna cria condições para que a sociedade não apenas acompanhe os números, mas também os compreenda, questione e participe das decisões.
Trocando em miúdos, é preciso permitir que cada cidadão consiga relacionar dados como o crescimento do PIB à sua própria realidade: mais oportunidades de trabalho, melhores serviços públicos, aumento da renda e qualidade de vida.
Esse deve ser um dos principais compromissos do próximo governo: preservar o equilíbrio fiscal, aprofundar a transparência, melhorar continuamente o ambiente de negócios e ampliar as condições para que novos investimentos cheguem ao Espírito Santo.
O Estado vem demonstrando que responsabilidade pública, segurança institucional e estímulo à iniciativa privada podem produzir bons resultados.
O desafio agora não é apenas comemorar mais um recorde, mas trabalhar para que avanços como esse deixem de ser excepcionais e se tornem permanentes.
É assim, com responsabilidade, governança e confiança em quem produz, que o Espírito Santo pode continuar mostrando ao país que existe um Brasil que dá certo.
Por: Folha Vitória

