"Onda azul": o que a vitória dos democratas muda no Congresso dos EUA
Partido conquistou a maioria na Câmara e no Senado e poderá ampliar investigações sobre o governo Trump
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3), mudou o equilíbrio de forças no Congresso dos Estados Unidos e deve impor novos obstáculos ao presidente Donald Trump nos dois últimos anos de seu mandato. O partido conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, retomando o controle das duas Casas pela primeira vez desde 2023.
Com o resultado, a oposição terá mais instrumentos para fiscalizar a administração federal, conduzir investigações e barrar ou atrasar indicações feitas pelo presidente para cargos estratégicos, incluindo integrantes do gabinete, juízes federais e ministros da Suprema Corte.
Investigações podem atingir diferentes áreas do governo
A partir da posse do novo Congresso, em janeiro de 2027, presidentes democratas das comissões poderão utilizar intimações para convocar pessoas e organizações a prestar esclarecimentos ou entregar documentos relacionados às investigações.
Entre os possíveis alvos estão projetos de construção ligados a Trump, suspeitas de enriquecimento ilícito envolvendo o presidente e familiares, a guerra no Irã e as operações de fiscalização migratória.
Também aparecem na lista os efeitos dos cortes orçamentários promovidos pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês) em 2025 sobre o serviço público federal, além de temas como inteligência artificial e acessibilidade. Os assuntos foram relacionados em um levantamento do escritório de advocacia Squire Patton Boggs, apresentado a clientes.
Indicações presidenciais podem enfrentar resistência
A mudança também afeta a capacidade de Trump de preencher cargos importantes no governo e no Judiciário. Cabe ao Senado analisar e confirmar as indicações presidenciais, e a nova maioria democrata poderá rejeitar nomes ou prolongar o processo de aprovação.
A oposição, no entanto, não terá votos suficientes para derrubar sozinha eventuais vetos presidenciais. Para superar uma decisão de Trump, são necessários dois terços dos votos dos parlamentares presentes tanto na Câmara quanto no Senado, o que exige apoio de republicanos.
Trump fala em poder de veto
Em entrevista ao site Politico na noite da eleição, Trump afirmou que pretende preservar o direito de vetar projetos aprovados por um Congresso controlado pelos democratas, mas disse não querer passar os próximos dois anos barrando todas as propostas da oposição.
Antes da votação, o presidente havia sinalizado uma postura mais confrontadora e chegou a sugerir que poderia se tornar “o Sr. Veto” diante de um Legislativo dominado pelos adversários políticos.
Por: CNN Brasil
