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EUA mataram ao menos 230 pessoas em ataques a barcos

Governo Trump classifica mortos como "combatentes ilegais", autorizando ataques letais sem revisão judicial secreta
17/09/2026 às 10h35
EUA mataram ao menos 230 pessoas em ataques a barcos

As Forças Armadas dos Estados Unidos mataram pelo menos 230 pessoas em ataques que destruíram ao menos 79 embarcações, como parte de uma campanha que Washington afirma ter como objetivo conter o fluxo de drogas para o país, segundo comunicados oficiais e uma análise da CNN sobre as operações de busca e resgate.

Pelo menos 26 pessoas sobreviveram aos ataques, segundo as Forças Armadas dos EUA. Destas, ao menos três ficaram brevemente sob custódia das forças americanas antes de serem devolvidas aos seus países de origem. Cerca de 23 são consideradas mortas depois que buscas não localizaram os sobreviventes na água.

O ataque mais recente, em 16 de setembro, destruiu uma embarcação que, segundo os EUA, atuava como barco de “abastecimento” para operações de tráfico de drogas no Pacífico Oriental. Não houve mortes confirmadas. Foi o oitavo ataque desse tipo contra uma embarcação supostamente usada para abastecimento. O Comando Sul dos EUA afirmou que retirou os tripulantes antes de afundar as embarcações e os transferiu para o Equador.

A Guarda Costeira dos EUA iniciou buscas por sobreviventes após vários dos ataques. Em outras ocasiões, autoridades navais de outros países foram acionadas depois das ofensivas.

O governo Trump informou ao Congresso que os Estados Unidos estão agora em um “conflito armado” contra cartéis de drogas, iniciado com o primeiro ataque, em 2 de setembro de 2025. As pessoas mortas foram classificadas como “combatentes ilegais”, e o governo afirma ter autorização para realizar ataques letais sem revisão judicial, com base em uma conclusão sigilosa do Departamento de Justiça.

Alguns integrantes do Congresso e organizações de direitos humanos questionaram essa conclusão e defenderam que os supostos traficantes sejam processados, como ocorria nas operações de interceptação realizadas pelos EUA antes de Donald Trump assumir a Presidência.

O governo Trump também não apresentou publicamente evidências da presença de drogas nas embarcações atacadas ou de que elas tinham ligação com cartéis.

Autoridades militares afirmaram que nenhum integrante das Forças Armadas dos EUA ficou ferido nos ataques.

Por: CNN Brasil

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