Trump recebe Xi Jinping em Washington para nova cúpula nesta quinta-feira
Agenda prevê reunião bilateral e jantar de Estado onde os líderes devem abordar temas como inteligência artificial, tarifas, Irã e Taiwan
O presidente da China, Xi Jinping, já em solo americano e deve realizar uma cúpula com o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta quinta-feira (24).
A reunião entre os líderes deve abordar as tensões entre as duas maiores economias do mundo, com temas como comércio, inteligência artificial e o conflito com o Irã.
Trump e a primeira-dama Melania Trump receberam Xi e a esposa do presidente chinês, Peng Liyuan, na Base Conjunta Andrews, em Maryland, na noite de quarta-feira (23).
Esta é a primeira visita de Xi a Washington desde 2015. A viagem aos Estados Unidos terá duração de três dias e inclui, além da reunião com Trump, uma cerimônia militar na Casa Branca, um jantar de Estado e uma visita aos Arquivos Nacionais.
Trump afirmou que o conflito com o Irã estará entre os temas discutidos com Xi, além de “muitos outros assuntos”.
O que deve ser abordado
Apesar de suas profundas divergências, ambos os lados seguiram em frente com a cúpula, que, segundo analistas, busca projetar estabilidade entre a maior fábrica do mundo e seu maior consumidor.
As expectativas de um avanço significativo durante a visita de Xi são mínimas.
A trégua comercial de 11 meses entre os países chega ao fim em novembro, mas os dois lados estão em desacordo sobre questões que vão de Taiwan a narcóticos e minerais de terras raras.
Pessoas a par dos planos afirmaram que Xi provavelmente levantará com veemência a reivindicação de Pequim sobre Taiwan, um tema que Washington preferiria evitar, enquanto Trump provavelmente manterá controles rígidos sobre as exportações dos EUA apesar das objeções de Xi.
No entanto, as conversas marcadas para quinta-feira (24) podem, mesmo assim, resultar em acordos para reduzir tarifas em setores específicos, cooperar no combate ao tráfico de drogas e ampliar o diálogo entre as forças armadas.
Trump deve buscar a libertação de alguns norte-americanos e outras pessoas detidas na China, segundo essas fontes.
Os dois países também podem concordar em discutir mais sobre inteligência artificial, área em que estão em acirrada competição, mas cientes dos perigos crescentes.
A reunião ocorre em um momento difícil para Trump, que enfrenta queda nos índices de aprovação à medida que cresce o descontentamento público com a guerra contra o Irã.
Xi, embora também enfrente desafios internos, chega em uma posição aparentemente mais forte, com o motor comercial de seu país em plena atividade.
Os próprios líderes podem não sentir que precisam fazer concessões, afirmaram analistas.
“O presidente acredita firmemente que, com o tempo, a economia dos EUA vai crescer e o país ficará mais forte”, disse Edgard Kagan, ex-funcionário da Casa Branca que agora trabalha no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington.
“Acho que, quando Xi Jinping se sentar com Donald Trump, ele estará convencido de que os EUA estão em declínio vertiginoso e que o tempo está do lado da China", completou ele.
Mensagem de Xi
Ao chegar aos Estados Unidos, Xi afirmou, em uma declaração divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da China, que as duas maiores economias do mundo podem coexistir.
“Juntos, podemos e devemos encontrar a abordagem certa para que a China e os Estados Unidos, duas grandes nações, convivam bem na nova era. Estou confiante de que conseguiremos”, disse Xi, segundo o comunicado.
Por: CNN Brasil

