“Vamos conversar com todo mundo", diz Ricardo sobre eventual diálogo com o PT
Governador, que terminou o primeiro turno atrás de Lorenzo Pazolini, diz que pretende conversar com lideranças de diferentes campos políticos
A desvantagem no primeiro turno levou Ricardo Ferraço (MDB) a admitir, nesta segunda-feira (05), a possibilidade de conversar com Helder Salomão (PT), terceiro colocado na disputa pelo governo do Espírito Santo, em uma tentativa de ampliar o arco de apoios para a segunda etapa da eleição.
Helder recebeu 323.483 votos, o equivalente a 15,32%, enquanto Ricardo terminou a primeira fase com 719.397 votos (34,06%), atrás de Lorenzo Pazolini (Republicanos), que obteve 1.048.633 votos (49,65%).
Questionado sobre uma eventual aproximação com o deputado federal e seu eleitorado, Ricardo afirmou que pretende dialogar com diferentes grupos políticos e disse que o governador deve evitar divisões no Estado, defendendo conversas com quem estiver disposto a construir uma convergência.
A declaração foi dada durante uma entrevista coletiva realizada na tarde desta segunda-feira, do lado de fora da Residência Oficial do Governo do Estado (Resof), na Praia da Costa, em Vila Velha, um dia depois de Ricardo não comparecer ao próprio comitê após a divulgação do resultado das urnas.
O candidato afirmou que a segunda etapa representa “uma nova eleição, um novo momento” e antecipou que pretende adotar uma postura mais incisiva nos próximos debates, classificando a disputa como um confronto entre projetos que deverá ser conduzido de maneira respeitosa, mas também direta.
Casagrande deve participar das articulações
A possível aproximação com setores de centro-esquerda e esquerda deve contar com a participação do ex-governador e senador eleito Renato Casagrande (PSB), que se reuniu com Ricardo nesta segunda-feira para discutir o cenário eleitoral, embora o conteúdo da conversa não tenha sido divulgado.
Ricardo atribuiu a Casagrande um papel relevante na campanha do segundo turno e afirmou que o ex-governador deverá atuar nas articulações com diferentes grupos, dizendo que o aliado poderá conversar com quem estiver disposto a apoiar a continuidade do projeto político defendido por sua candidatura.
A estratégia representa uma mudança em relação ao primeiro turno, quando Ricardo e Helder protagonizaram embates eleitorais e mantiveram distância política, com o petista chegando a classificar o governador como coadjuvante durante a campanha.
Ricardo atribui resultado à nacionalização da eleição
Ao ser questionado sobre possíveis erros na estratégia eleitoral, Ricardo não reconheceu ter subestimado os adversários e atribuiu parte do resultado à influência da disputa nacional sobre a escolha para o governo estadual.
Segundo o candidato, “houve uma nacionalização no processo de decisão para governador do Estado”, cenário que, na avaliação dele, deverá ser discutido de forma mais aprofundada durante o segundo turno.
Ricardo também descartou alterar sua posição diante da eleição presidencial e afirmou que pretende manter a postura adotada até agora, evitando entrar na disputa ideológica entre os grupos que polarizam a política nacional.
Campanha pretende ampliar alianças
Ricardo afirmou ainda que pretende preservar os apoios já reunidos no primeiro turno e buscar novas alianças durante a segunda etapa, com conversas previstas com lideranças da Grande Vitória e do interior do Espírito Santo.
O candidato disse que ele e o vice, Camillo, estão preparados para a nova fase da disputa e que a campanha pretende aprofundar a discussão sobre os projetos apresentados ao eleitor capixaba.
Enquanto Ricardo sinaliza abertura para novas conversas, Helder ainda não definiu publicamente sua posição no segundo turno, já que o petista informou que a decisão seria tomada coletivamente após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcada para esta segunda-feira (05).
